Cultura, Notícias, Turismo

Viagem longa: você merece fazer uma

Passar vários meses ao ano viajando não é viável para a maioria dos mortais. Mas é algo que você pode fazer pelo menos uma vez na vida

Mulher viajante observa paisagem ao pôr do sol
Todo mundo merece passar mais de um mês viajando, longe de casa, colocando as ideias no lugar (iStock/iStock)

Oito anos atrás, quando fizemos uma grande viagem pela primeira vez, Cássio e eu achamos que aquela seria “a” aventura das nossas vidas. Foram 90 dias inesquecíveis, num roteiro meio destrambelhado pelo Sudeste Asiático com uma esticada na Nova Zelândia. Mas o efeito durou meses. Havíamos descoberto um universo totalmente novo (o Oriente) e, para nossa surpresa, a empreitada tinha sido muito mais fácil do que prevíamos, até do ponto de vista financeiro. A partir de então, quisemos repetir… repetir… repetir…. E eis que o hábito de viajar longamente acabou virando a peça fundamental do nosso estilo de vida.

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América do Sul, Argentina, Ushuaia

USHUAIA: GLACIAR MARTIAL

 

 

Ushuaia,
quarta-feira, 27 de agosto de 2014 (17° dia).

GLACIAR MARTIAL

Fazer trekking
no Glaciar Martial não
estava nos meus planos, a princípio. Mas acabei contagiado pela animação da
Ingrid quando fomos fechar os passeios e foi um dos pontos altos da nossa
“cereja do bolo” (Ushuaia). O Auli preferiu conhecer o Cerro Castor nesse dia.

Subir o Glaciar Martial pedia a companhia de um guia
e nos indicaram o Ignácio da Ushuaia Aventura.
Como todos os tours do “Fim do Mundo”, fomos pegos no albergue pontualmente e
em alguns minutos estávamos de volta à entrada do glaciar, que fica a 7 km do
centro da cidade.

Ignácio, sempre muito simpático, nos ajudou a calçar
os – extremamente necessários – grampões, que ele mesmo levou e começamos um
dos passeios mais frios que fiz até hoje.

DICA: caso você não possua roupas e calçados específicos
para baixas temperaturas, não deixe de alugar tudo o que for necessário em uma
das muitas lojas que prestam esse serviço.

O Glaciar Martial é uma montanha de,
aproximadamente, 1.000 metros de altitude. Nada comparado aos mais de 3.000 de
Cusco, então não precisávamos nos preocupar com o soroche, mas em compensação o vento era extremamente agressivo! Na
verdade a trilha que fizemos chegou a, no máximo, 825 metros de altitude.
Parece pouco, mas a combinação frio e vento (que fazia o grande favor de nos
desequilibrar nas “dunas” de gelo), era o suficiente para uma jornada de
dificuldade média de, mais ou menos, duas horas e meia de subida.

O nome do glaciar foi uma homenagem ao capitão Louis
Ferdinand Martial, comandante do navio La
Romanche
e da expedição científica francesa de 1882, que estudava o trânsito
do planeta Vênus. Como quase tudo em Ushuaia, a paisagem do glaciar para mim
podia ser comparada a uma locação de filme. Nunca havia estado em um cenário
como aquele. Enquanto o Ignácio nos passava algumas informações sobre a fauna e
flora local, tirávamos muitas fotos da paisagem congelada.

DUBLIN PUB

Chegamos ao hostel
e descobrimos que o Auli havia tido um “leve” acidente no Cerro Castor (Risos),
havia torcido o pulso em uma queda. O pior da história é que ele tinha
reservado entrada para o dia seguinte também! Muito comédia…

Esta noite resolvemos finalmente conhecer o Dublin Pub, provavelmente o bar
mais famoso de Ushuaia e o que tinha mais turistas por metro quadrado. Acho que
tentando seguir a tradição irlandesa, o bar de fato era um pub respeitável: barulhento, cosmopolita e com uma enorme diversificação
de cervejas.

No Dublin reencontramos o amigo que trabalhava na
agência, o Hugo, acompanhado do Félix, do Refugio de Montaña. Resolvemos
experimentar a cerveja que nos disseram ser a mais tradicional da cidade, a
artesanal Beagle em suas três versões: preta, morena e loira! Cervejas
artesanais, de uma forma geral, são mais fortes do que as tradicionais, então
bastaram duas ou três canecas para ficarmos bem animados… (Risos)

 

Andarilho

 

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10 livros que narram aventuras de viagem

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SINOPSE

Joe Toy é um adolescente que não aguenta mais viver com o pai autoritário. Quando seu amigo Patrick também briga com os pais, os dois decidem se mudar para a floresta, junto de um garoto estranho que os segue, e viverem sozinhos, longe da presença de adultos. Logo, eles aprendem como cuidar da própria comida e como construir uma casa para os três.

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Notícias, Turismo

Fotógrafo vence doença e vende tudo para viajar de bike pelo mundo

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Fotógrafo vence doença e vende tudo para viajar de bike pelo mundo

América do Sul, Peru

O Sonho Inca

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O GIGANTE ACORDOU?!


Em junho de 2013, o país inteiro estava vivendo uma época bem peculiar: o início dos protestos por melhorias nos transportes e outros serviços públicos, protestos anticorrupção, anti Copa etc. Eu cheguei a participar de um desses protestos no Rio de Janeiro,  provavelmente o maior deles, no dia 17 de junho, antes de embarcar para o Peru.

A sincronia com os protestos em outros estados e, principalmente, no Distrito Federal, reacendeu uma nova esperança para com a situação política do país (mesmo que descobrisse depois que essa sensação não duraria muito…). E nesse cenário um tanto conturbado, estávamos deixando o Brasil rumo à Cordilheira dos Andes, em minha primeira viagem internacional.

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Protestos no Rio de Janeiro, junho de 2013

 VACINAS, PASSAPORTES E OUTROS DETALHES


Para entrar no Peru (de longe o país com mais trocadilhos e frases ridículas de duplo sentido…) é necessário tomar a vacina contra a Febre Amarela, o que fizemos alguns meses antes em um posto de saúde no bairro de Vila Isabel, no Rio de Janeiro. A vacina é gratuita, válida por dez anos e, pelo menos em mim, não provocou nenhum efeito colateral. Depois de tomá-la, é necessário obter um Certificado Internacional de Vacinação  disponível em alguns postos de atendimento da ANVISA . O meu foi retirado no do Aeroporto do Galeão, mas existem postos em vários bairros e, provavelmente, em várias outras cidades do Brasil. Íamos retirar no mesmo dia em que tomamos a vacina, mas esqueci de levar um documento de identificação válido e tive que retirar no aeroporto alguns dias depois (não esqueça desse detalhe, levar um documento!).

Fora isso, devido à época do ano, precisávamos estar preparados para um inverno mais intenso que o do Rio, desse modo, alguns apetrechos eram necessários. Alguns comprados aqui, outros lá, mas não se vai ao Peru no inverno sem pensar nisso…

Sugerido por uma amiga, eu fiz questão de tirar o passaporte para carimbá-lo em Machu Picchu. Então, quem costuma guardar carimbos de recordação, não deve esquecer-se de levar o seu passaporte à Machu Picchu! Mesmo que não seja necessário para entrar no país (bastando apenas um documento de identificação válido), serve para levar uma bela recordação para casa!

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Carimbo de Machu Picchu

MEMÓRIAS DA INFÂNCIA


Meu relacionamento com Machu Picchu, até onde me recordo, começou ainda criança ao assistir na extinta TV Manchete a minissérie “Filhos do Sol”. Pesquisei na internet com o intuito de relembrar a trama:

“Em São Tomé das Letras, interior de Minas, o ufólogo Airton descobre que extraterrestres estão em Machu Picchu, Peru. Ele parte para lá se encontrando com Hiran, que havia descoberto uma estranha pedra capaz de matar quem se aproximasse dela. Os mistérios são ampliados quando localizam um túnel que ligava São Tomé das Letras à Machu Picchu.”

(Viu, Dani… Você não me levou até São Tomé no Carnaval, tive que ir até Machu Picchu! Rá!)

Coincidentemente o mesmo autor da série, Walcyr Carrasco, escreveu a novela “Amor à Vida” que estreou basicamente na mesma época em que viajamos (e, provavelmente, foi o motivo de encontrarmos tantos compatriotas em Cusco…).

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Viajar para o Peru foi, como esperado, uma experiência e tanto! Depois de anos de planejamento, minha primeira viagem internacional finalmente saiu do papel. O plano original incluía parte da Bolívia, mas por motivos de força maior (falta de tempo e de grana) o roteiro se limitou às terras incas e à atual capital do território peruano. O Lago Titicaca, Tiahuanaco e Puma Punku ficariam para uma próxima oportunidade…

Mesmo no Peru, alguns ajustes tiveram que ser feitos, pois ficamos à mercê de alguns acontecimentos, como imprevistos financeiros e os efeitos nocivos da altitude (soroche). O roteiro também incluía o famoso voo panorâmico sobre as Linhas de Nazca e, talvez, um rafting  no Rio Urubamba, mas tudo isso ficou só na vontade. Em compensação, tivemos um tempo razoável para conhecer bem a cidade de Cusco, passar um dia e uma noite em Aguas Calientes (Machu Picchu Pueblo) e, de quebra, fazer um mini tour pelo bairro de Miraflores, em Lima. Falo sempre no plural porque, logicamente, não viajei sozinho. Essa experiência grandiosa foi dividida com o Fabricio, amigo de trabalho com quem vinha planejando essa viagem há anos. Aproveitamos as férias vencidas e os valores interessantes das passagens para passar oito dias imersos em uma cultura milenar.

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Valle Sagrado dos Incas

DORMINDO NO AEROPORTO


A ida foi “punk”, com três voos, duas escalas e quase vinte horas para chegar ao destino final (são os “poréns” de se viajar economicamente). Fomos de Lan Chile e ficamos cerca de seis horas tentando dormir no aeroporto de Lima (o  Aeroporto Internacional Jorge Chávez, um dos melhores da América do Sul) esperando o voo que nos levaria, finalmente, a Cusco. Digo “tentando” porque em determinada hora da madrugada, após sofrermos um susto com a “enceradeira assassina” de uma funcionária do aeroporto, alguém resolveu continuar a obra e ligou uma britadeira bem embaixo de onde estávamos! – traumatizante… O aeroporto de Cusco (Aeroporto Internacional Alejandro Velasco Astete), é bem menor e bem mais frio, claro! Pelo menos não tivemos nenhuma mala extraviada! Ah, e experimentamos a empanada peruana! (mas as empanadas de aeroporto não são lá essas coisas…)


RESUMO DO ROTEIRO
Destino: Peru
Meios de Transporte: Avião e trem
Quilometragem: 5.619 km de avião + 224 km de trem
Período: 20/06 – 28/06/2013

A seguir: Plaza de Armas e Arredores | Cusco