Geral

UFC em Ollantaytambo

Depois de levar uma cuspida no vidro de um bêbado, o motorista da van do nosso city tour em Cusco resolve treinar artes marciais… (23/06/2013)

After taking a spit in the glass of a drunk guy, the driver of the van of our city tour in Cusco decides to training some martial arts… (06/23/2013)

Geral
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El Condor Pasa (If I Could)

(Daniel Alomía Robles / Julio de La Paz. Versão: Simon & Garfunkel)

I’d rather be a sparrow than a snail
Yes, I would
If I could
I surely would

I’d rather be a hammer than a nail
Yes, I would
If I only could
I surely would

Away, I’d rather sail away
Like a swan that’s here and gone
A man gets tied up to the crown
He gives the world
Its saddest song

I’d rather be a forest than a street
Yes, I would
If I could
I surely would

I’d rather feel the earth beneath my feet
Yes, I would
If I only could
I surely would

Geral

Cusco (Plaza de Armas e arredores)

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Repleta de arcos e praças espanholas e sacadas de madeira projetadas sobre estreitas ruas de pedra, a pitoresca cidade de Cusco foi declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1983. Mulheres de longas tranças negras, com camadas de saias e cartolas, conversam em quéchua nos degraus da catedral, numa cena atual que remete ao passado. Veem-se traços da conquista espanhola na arquitetura colonial, ao passo que o encaixe preciso das pedras em velhos muros lembra a fundação da cidade pelos incas. Apesar do movimento turístico, os indígenas mantêm o ar andino.

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PLAZA DE ARMAS

Na época dos incas, a praça era mais usada para fins cerimoniais e conhecida como Huacayapata, que significa Praça dos Guerreiros ou Praça dos Pesares. Inti Raymi, o Festival do Sol, era comemorado aqui todos os anos. Às vezes, múmias de incas eram colocadas neste local para veneração pública. Dizem que certa feita, para deleite do imperador, a praça foi coberta de areia branca trazida da costa por lhamas e adornada com pequenas esculturas de ouro e coral que representavam as províncias.

Francisco Pizzarro reivindicou Cusco para a Espanha na Plaza de Armas e Túpac Amaru II, o líder da rebelião indígena, foi decapitado aqui em 1781.

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Os arcos de pedra da praça refletem a influência espanhola, assim como a catedral e a igreja jesuíta de La Companía. Esta é muito confundida com a famosa catedral devido à sua elaborada fachada.

Duas bandeiras tremulam na praça, a vermelha e branca do Peru e a outra com as cores do arco-íris (Cusco), a qual dizem ser o estandarte do antigo Império Inca, Tahuantinsuyu.

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América do Sul, Peru

PERU 2013 | IMPRESSÕES/CONCLUSÕES

AS PESSOAS

O povo peruano é, em geral, muito simpático! Principalmente onde o turismo é mais significativo, como em Cusco, são muito solícitos. Na capital, Lima, as pessoas são mais reservadas, mas estão longe de serem emburradas como em outras capitais (Buenos Aires, por exemplo). Em Cusco, devido à presença maciça de brasileiros, mesmo quem não fala bem o espanhol consegue se virar bem, pois os nativos se esforçam mais para se comunicar. Já em Lima a fala é mais rápida, carregada e eles não se importam muito se você não está acompanhando.

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CÂMBIO

No período em que permanecemos no Peru, o Novo Sol variou de 0,80 a 0,77 centavos de Real. Ou seja, com as taxas ficava quase um para um. Então, leve dinheiro para o dia a dia como se fosse viajar pelo Brasil e um pouco a mais para emergências e compras. Como em Lima só precisamos fazer câmbio quando chegamos, no aeroporto, não tenho ideia dos melhores pontos. O câmbio nos aeroportos geralmente é mais desvantajoso, eu aconselharia trocar moedas nas muitas casas de câmbio da Avenida El Sol, em Cusco.

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CLIMA

Visitamos o Peru no inicio do inverno e devido à altitude de Cusco a sensação térmica à noite poderia chegar a 0°, mas a temperatura oficial raramente cai menos do que 2°. Durante o dia as temperaturas são mais amenas, principalmente ao sol, chegando à média de 20°. Cusco encontra-se a 3.400 metros acima do nível do mar, então é normal que os estrangeiros sofram do já conhecido soroche ou mal de altitude. Pessoalmente, eu fiquei à base dos remédios para enjoo e dor de cabeça que levei do Brasil, mas existem opções locais específicas para isso, uma delas é o Sorojchi Pills. Para garantir, compre um ao desembarcar do avião!

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TRANSPORTE

Prepare-se para andar MUITO! Tanto em Cusco quanto em Aguas Calientes e (logicamente) em Machu Picchu. Andamos por todo o Centro Histórico de Cusco, mas optamos por voltar de táxi para o hotel algumas vezes, afinal a rua em que ficamos era uma ladeira imensa! Os táxis são bem baratos para trajetos curtos, mas dependendo da época do ano, o trânsito pode ser complicado nos arredores da Plaza de Armas (principalmente no Inti Raymi). Para sítios mais afastados utilizamos o transporte de uma agência de turismo (van e micro-ônibus), o que não nos eximiu de subir ladeiras e escadarias imensas. Não chegamos a pegar ônibus nem mesmo em Lima, onde também caminhamos a maior parte do tempo, utilizando táxis apenas para fazer o trajeto de ida e volta do aeroporto. Em Aguas Calientes confie nas suas pernas! O lugar é pequeno e não me recordo de ter visto muitos carros. Como já é de conhecimento geral, temos que utilizar trem para chegar até lá (Peru Rail, cujos preços variam de US$ 55,00 a US$ 400,00) e um micro-ônibus até Machu Picchu (cerca de US$ 20,00) cujas passagens podem ser adquiridas na hora do embarque.

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GASTRONOMIA

Empanadas, empanadas… e mais empanadas!! (risos) As empanadas peruanas são deliciosamente práticas e baratas (cerca de 3 soles). Eu gostei de todos os sabores que experimentei: carne, frango e queijo. E ainda tem a facilidade de serem encontradas em qualquer esquina. Não restam dúvidas de que as empanadas se tornarão a dieta básica de qualquer mochileiro disposto a economizar o máximo! Mas, se você tem preferência por uma gastronomia mais sofisticada, pode experimentar os pratos típicos da região, como ceviche, lomo saltado e carne de alpaca. Eu (idiotamente) não estava muito a fim de arriscar passar mal experimentando comidas diferentes (bastava o enjoo do mal de altitude), por isso, só experimentei um pedaço de carne de alpaca. O ceviche, feito de peixe, é provavelmente o prato típico mais famoso do Peru. Quem gosta de peixe e frutos do mar não deve deixar de experimentar. Quanto às bebidas, experimente a (infame) Inka Cola, refrigerante primo do Guaraná Jesus (!), a chicha morada, cerveja que pode ser alcoólica ou não, à base de milho e o pisco, aguardente feita da destilação de uvas. E, claro, use e abuse do chá de coca para ter disposição e minimizar os efeitos do soroche!

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VIDA NOTURNA

Confesso que nossa trip deixou um pouco a desejar quanto a esse ponto. Era difícil conciliar os compromissos matinais com uma vida noturna agitada, mas ainda assim conhecemos pelo menos uma boate em Cusco, provavelmente a mais famosa delas, a Mama Africa. Aliás, os arredores da Plaza contam com boas opções, tanto com relação a casas noturnas quanto em relação a bares e pubs. Em Aguas Calientes também existem opções de bares mas, se não me engano, havia apenas uma casa noturna que não chegamos a conhecer. Em Lima, o point é a Calle de las Pizzas e as ruas em torno do Parque Kennedy. Infelizmente, não tivemos tempo de conhecer profundamente a vida noturna da capital.

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ATRAÇÕES TURÍSTICAS

Quando falamos em visitar o Peru, pensamos logo em Machu Picchu e, de fato, a cidade sagrada é o ponto alto de uma viagem às terras incas, mas… existem muitos lugares igualmente interessantes! Não deixe de contratar os serviços de uma agência para fazer um city tour por Cusco e, principalmente, um tour pelo Vale Sagrado. Geralmente esses pacotes são corridos, mas para quem tem pouco tempo de viagem funciona bem. Em dois dias, podemos conhecer os principais sítios arqueológicos da região de Cusco. Caso tempo não seja um problema durante sua estadia, dedique-se a conhecer mais a fundo os sítios de Sacsayhuamán, Tambomachay, Ollantaytambo e Pisac que são enormes! Não chegamos a conhecer Maras e Moray, mas dizem que vale muito a pena. O boleto turístico geral dá direito à maioria das atrações por 130 soles (cerca de R$ 100,00) e pode ser adquirido em agências ou na entrada dos parques. Em Aguas Calientes, encare as fontes termais (coragem!), pois vale a pena! Depois de horas de caminhada, não tem nada mais relaxante do que as piscinas de agua quente, ainda que o aspecto das mesmas não seja lá muito convidativo… As Linhas de Nazca ficaram para uma outra oportunidade também, mas é imprescindível para os fãs de arqueologia e teorias da conspiração.

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E aqui encerro os relatos e dicas sobre o Peru… Foi uma viagem curta, mas inesquecível! Se puder ajudar em algo mais, é só me mandar um e-mail: superandarilho@outlook.com

Abraços e boas trips!

 

 

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América do Sul, Lima, Peru

LIMA

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 Lima, quinta-feira, 27 de junho de 2013 (7° dia).


 

CASA DEL MOCHILERO

Chegamos a Lima bem cedo, antes das 10h da manhã, que seria o nosso horário de check-in. Os dois hóspedes que ocupavam o nosso quarto ainda estavam terminando de arrumar as malas. O hostel Casa del Mochilero não é um suprassumo de conforto, mas ganha no custo- benefício e na localização. Nossa estadia em Lima seria breve, apenas uma noite, então fazíamos questão que fosse segura e econômica. O hostel fica no muito bem avaliado bairro de Miraflores, entre San Isidro e Barranco, o que nos proporcionou um mini tour interessante. Logo que chegamos fomos recebidos pela responsável (que não me recordo o nome, mas creio que se chamava María), que nos explicou o funcionamento do lugar, nos deu um mapa de Miraflores e indicou os principais pontos turísticos nos arredores.

Como em todos os hostels, tinha gente de diferentes países e fizemos amizade com um brasileiro que estava morando havia três meses no Peru, o Jean. Aproveitamos para conhecer o terraço e lá conhecemos um casal bem simpático, ele americano, ela mexicana. Falamos um pouco sobre Teotihuacán, Machu Picchu e ruínas de uma forma geral e aproveitamos para nos informar sobre onde poderíamos comer algo barato. Indicado pelo Jean, fomos conhecer o supermercado Vivanda, que ficava a algumas quadras.

COMPRAS

O Vivanda tinha tudo o que precisávamos: empanadas, ají e huancaína (risos). Brincadeira… Trata-se de um supermercado normal, típico de qualquer cidade grande. Lá encontramos desde comidas congeladas, até pratos prontos para serem consumidos na hora, em um pequeno restaurante na entrada. Comemos algumas empanadas, para não perder o costume e levamos algumas besteiras para comer à noite. Ah, sim! E aproveitamos para comprar ají e huancaína (molhos peruanos típicos) da marca Alacena para levarmos para o Brasil.

MIRAFLORES

Miraflores, como o próprio nome sugere, é um bairro bem arborizado, cheio de parques e praças. Para o nosso desgosto, o dia estava nublado. Na verdade estava chuviscando! O que não nos impediu de sair para o que seria um breve passeio e que acabou durando o dia inteiro. Bem perto do hostel encontra-se o Parque Centroamérica com uma escultura em forma de mapa dos países da América Central (logicamente) e suas bandeiras.

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Caminhando mais um pouco, temos a primeira visão do Oceano Pacífico, que devido ao mau tempo, nem cogitamos entrar. Para variar, apenas os loucos surfistas estavam na água. Em seguida, passamos pelo Parque Almirante Miguel Grau, com seus casais de namorados jogados na grama e o El Faro de La Marina com seu enorme farol e suas âncoras.

Miraflores faz jus ao seu nome: pudemos observar várias espécies de flores por todos os lados. Depois passamos pelo Parque Antonio Raimondi com seus pássaros, esculturas, parquinhos infantis e parapentistas. Finalmente chegamos ao famoso Parque do Amor, com suas frases de amor escritas em mosaicos coloridos nos bancos de pedra e uma gigantesca escultura de um casal apaixonado, El Beso, de Victor Delfín. Do outro lado da ponte Villena Rey, chegamos ao Parque Intihuatana, com uma enorme escultura em homenagem à pedra sagrada dos incas que fica em Machu Picchu. Aqui, resolvemos fazer uma breve parada para um cappuccino.

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SHOPPING LARCOMAR

Alguns metros depois, chegamos à entrada do shopping Larcomar, com suas torres futuristas e terraços escavados nos rochedos. Aliás, todos os pontos descritos até agora ficam nos rochedos à beira do Oceano Pacífico. O Larcomar fica em frente ao hotel JW Marriott cujo cassino fomos visitar (e perder 10 dólares!).

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PARQUE KENNEDY

Continuando o tour, nos dirigimos para os Parques Kennedy e 7 de Junio, repletos de artesãos, pintores expondo seus quadros e gatos! Ali, aproveitamos para completar a lista de lembranças e descansar um pouco. A fome estava apertando, então resolvemos conhecer a famosa Calle de las Pizzas, em frente ao Parque Kennedy. Uma pena termos que partir no dia seguinte, pois dizem que essa rua aos fins de semana costuma ser muito badalada, bem como as outras ruas nos arredores do parque. Àquela altura, já começava a “Depressão da Volta”…

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INTERAÇÃO FINAL

De volta aos hostel, já de barriga cheia, aproveitamos para interagir um pouco mais com os gringos e com a mascote do lugar, a Martina Mochilera. Trocamos boas ideias com peruanos, colombianos e um casal de belgas. Lá pelas tantas resolvemos dormir, já que o taxista chegaria às 5h30 da manhã para nos levar ao aeroporto!

 

Lima, sexta-feira, 28 de junho de 2013 (8° DIA).



A TRILHA SONORA

Nossa estadia no Peru não teve uma trilha sonora específica… Escutamos muita coisa típica (claro!), música indiana em Cusco (é surreal, mas é verdade!) e muita coisa latina nas rádios como Luís Miguel, Jorge Drexler, Laura Pausini e Eros Ramazzotti (em suas respectivas versões em espanhol). Fora os ritmos calientes (cúmbia, salsa, reggaeton) que ouvimos no Mama Africa. Mas a música que mais me marcou em toda a nossa estadia no Peru foi um clássico do Al Stewart chamado “Year of the Cat”. No caminho para o aeroporto, já nos preparando psicologicamente para voltar ao Brasil eis que em meio à sonolência do amanhecer de um dia cinza, típico de Lima, essa música começa a tocar na rádio do nosso taxista… Inesquecível!

Fora Isso, “El Condor Pasa” na versão de Simon & Garfunkel (figuras presentes nas minhas viagens desde os anos 80 – Risos) tem a cara de Machu Picchu, lógico!

 

 

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Aguas Calientes, América do Sul, Peru

AGUAS CALIENTES

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Aguas Calientes, terça-feira, 25 de junho de 2013 (5° DIA).


 

CAINDO NA ESTRADA…

Acordamos cedo neste dia, pois o trem da Peru Rail não sairia de Cusco, mas de uma cidade vizinha, Poroy. Até esse ponto fomos de ônibus e aproveitamos para tentar compensar o sono (pelo menos eu tentei, o Fabricio estava acordado tirando fotos, todas as fotos de estrada nesse trajeto são dele…). O dia estava frio e uma névoa pairava sobre as montanhas e campos próximos. Após mais ou menos uma hora de viagem, chegamos à estação da Peru Rail em Poroy.

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PERU RAIL

Pessoalmente gostei muito do serviço oferecido pela Peru Rail. Lógico que ele vai sofrendo um upgrade de acordo com o ticket que você compra, isso é certo. Mas mesmo o Expedition, o tipo mais barato de trem, que usamos para chegar a Aguas Calientes, é bem honesto e confortável. Os vagões são modernos e bem conservados com detalhes incas na decoração e na música ambiente, além de tetos panorâmicos para os passageiros apreciarem a vista. Bem interessante. O lanche de bordo também não deixa nada a desejar em comparação aos das companhias aéreas tradicionais (com direito a um exótico salgadinho de banana!), o que também melhora de acordo com seu ticket!
Observação: O ticket do trem, assim como as entradas para Machu Picchu, devem ser comprados com antecedência, via internet. Não arrisque deixar para comprar quando chegar, pois a probabilidade de estar esgotado é grande!

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AGUAS CALIENTES

Chegamos a Aguas Calientes cerca de quatro horas depois. A viagem, que margeia boa parte do Rio Urubamba, é bem tranquila, na verdade monótona em alguns momentos… Na estação de trem parecia que havia uma reunião internacional da terceira idade, tamanha era a quantidade de velhinhos (felizes, claro!) reunidos. Assim que desembarcamos do trem demos de cara com uma enorme montanha – que nunca descobrimos o nome – que apelidamos de “Pudim Gigante”. É justamente esse enorme pudim que impede que tenhamos a vista de Machu Picchu, creio. Aguas Calientes, também conhecida como Machu Picchu Pueblo, é o ponto de partida para a cidade perdida dos incas. Ao lado da estação de trem existe um mercado popular imenso em que os turistas aproveitam para comprar artesanatos e outros produtos. Os ônibus para Machu Picchu partem do centro do vilarejo e muitos viajantes aproveitam para pernoitar uma ou duas noites na cidadezinha, cujos principais atrativos são as piscinas de águas quentes (termais) que ficam no meio das montanhas. Optamos por passar uma noite em Aguas Calientes e pegarmos o ônibus para Machu Picchu no primeiro horário do dia seguinte. Dessa maneira, tínhamos um dia inteiro para aproveitar a cidade.

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PERDIDOS…

Nos perdemos em Aguas Calientes… Sim! Qualquer pessoa que conheça esse vilarejo sabe o quanto é ridículo se perder em um lugar tão pequeno e com um mapa nas mãos! (risos) Mas aconteceu… Acabamos parando em um hotel, o Hatun Inti e a recepcionista, muito simpática, nos auxiliou a finalmente localizar o nosso hostel, o Sol de Oro.

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SOL DE ORO

O Sol de Oro é um hostel simples, de clima familiar e com boa localização. Fomos bem recepcionados pela pessoa que nos resgatou no outro hotel e, como passaríamos apenas uma noite, não criamos grandes expectativas sobre a hospedagem, o que, no fim, acabou por nos surpreender. As camas eram confortáveis e o local bem silencioso durante a noite. O café da manhã, incluso, era bem honesto! Melhor até que o do nosso hotel em Cusco. Mas nem pense em chegar de madrugada! Provavelmente não vai ter ninguém na recepção…

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LA BOULANGERIE DE PARIS

Depois de fazer o checkin no hostel e colocarmos uma roupa mais adequada (estávamos usando bermudas pela primeira vez na viagem!), precisávamos encontrar alguma coisa para comer. Indicada por uma amiga (“Obrigado, Erica!”), La Boulangerie de Paris foi um achado em Aguas Calientes. Com lanches deliciosos a preços acessíveis (a partir de 2 soles) , voltamos muitas vezes durante a estadia. No cardápio da padaria francesa encontramos bruschettas, croissants, tortas e outras opções. Recomendadíssimo!

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AVENIDA PACHACÚTEC E PLAZA MANCO CAPAC

A Avenida Pachacútec, que pelo que me lembro inicia-se numa praça, a Plaza Manco Capac, é a principal rua da cidade, repleta de opções de bares, restaurantes e lojas de artesanato. Na praça podemos observar uma igrejinha, a estátua de Pachacútec e a sede da prefeitura de Machu Picchu Pueblo. Como em qualquer localidade que vive principalmente do turismo, a atenção dos viajantes nessa rua é disputada quase que “no dente” pelos locais. A cada cinco metros alguém nos oferecia um almoço especial, um drink, uma malha feita com lã de lhama, aluguel de toalhas (!) etc. Como chegamos em um dia de semana,conseguimos presenciar o cotidiano dos habitantes, como as crianças saindo da escola. É subindo por essa avenida que chegamos às termais.

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AS FONTES TERMAIS

Depois de subir penosos quinze ou vinte minutos, chegamos à entrada das fontes termais. Pensando bem, a subida era uma bênção comparada com as ladeiras de Cusco. Até porque em Aguas Calientes finalmente desapareceram os efeitos do soroche (ufa!). Pagamos 10 soles na entrada e alugamos toalhas – descobrimos o porquê desse nicho de mercado – por cerca de 3 soles. À primeira vista as piscinas são um pouco nojentas… A água barrenta e turva por causa do enxofre não é muito convidativa, mas resolvemos encarar assim mesmo e não nos arrependemos! Passamos cerca de 5 horas relaxando e enrugando nas piscinas termais ao som de Pink Floyd (aparentemente só havia esse CD…) que tocava no bar acima. Aliás, esse bar, cheio de artesanato e telas exóticas, pertence a um peruano com muita pinta de xamã. Acho que vem daí a psicodelia… Nesse tempo conhecemos gente interessante de vários países, inclusive do Brasil.

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LASANHA ESPETACULAR

Na descida, sucumbimos a um dos caçadores de turistas e entramos em um restaurante para jantar. Restaurante esse que não me lembro o nome, mas que tinha uma lasanha magnífica! Valeu cada centavo. Procurando bem, o turista consegue encontrar promoções interessantes. Nesse restaurante, por exemplo, comemos razoavelmente bem com a bebida já incluída. A regra de ouro de Cusco também vale para Aguas Calientes: pechinche SEMPRE!

FAZENDO AMIZADES NO HATUN RUNA GRILL

À noite, depois de um banho de verdade e de descansarmos um pouco, resolvemos sair para beber alguma coisa e conhecer a “vida noturna” do vilarejo. Depois de muito sobe e desce na Avenida Pachacútec, paramos no Hatun Runa Grill na Plaza. O restaurante tem quatro andares e paramos no 2° ou 3° para uns combos de drinks. O lugar não é muito bem avaliado, mas àquela altura do campeonato, não tínhamos muita opção e a vista da praça compensava o desleixo da garçonete… Dizem que esse restaurante cobra taxas abusivas (e fictícias) de 30%, dizendo tratar-se de um “Imposto de Machu Picchu”, mas se nos cobraram tal taxa nem reparamos, pois já deveríamos estar bêbados, finalmente! Depois do segundo combo de pisco sours e piñas coladas, acho que houve uma mudança de turno, porque o garçom que começou a nos atender, o Vicente, também conhecido como MoChileno (sim, mochileiro + chileno) era muito louco! Simpático, falante, engraçado, ele de vez em quando parava do lado da nossa mesa com um violão e cantava alguma coisa. Algum tempo depois, um grupo grande de amigos entrou no restaurante e nos reconheceram de cara do city tour que fizemos em nosso segundo dia em Cusco. Por intermédio do garçom, fomos parar na mesa desse pessoal e acabamos participando da comemoração de aniversário de uma das amigas, a Evelyn. Em um determinado momento, nosso showman MoChileno trouxe o seu violão e começou a cantar hits de toda a América do Sul! Impagável!

GUARDANDO AS ENERGIAS

Só nos demos conta do horário quando o restaurante começou a fechar. Já eram quase 3h da manhã e tínhamos que levantar às 4h30 para pegar o primeiro ônibus! Resistindo à tentação de partir para algum inferninho no meio da selva peruana para encerrar a noite, resolvemos dormir algumas horas para não chegarmos a Machu Picchu em um estado deplorável…

 

 

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América do Sul, Cusco, Peru

CUSCO: INTI RAYMI

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Festejos anuais do Inti Raymi em Sacsayhuamán

 

Cusco, segunda-feira, 24 de junho de 2013 (4° dia).


 

 

MARAS E MORAY

Neste dia reservamos a parte da manhã para conhecermos as ruínas de Maras e Moray e, se desse tempo, voltaríamos a Sacsayhuamán antes do Inti Raymi. Esse era o plano, mas simplesmente não tivemos uma manhã… Esgotados do dia anterior, acordamos quase na hora do almoço! Maras e Moray entrariam para a fila junto com Nazca, o Lago Titicaca e Tiahuanaco…

 

SAN CRISTOBAL

Logo na saída do hotel, observamos uma grande movimentação de pessoas subindo em direção a Sacsayhuamán. O sítio fica a uns 20 minutos de caminhada do hotel em que ficamos, o Chincana Wasi. A encenação do Inti Raymi tem início no templo de Qorikancha, passa pela Plaza de Armas e é encerrado nas ruínas de Sacsayhuamán. Com o excesso de sono, perdemos a primeira parte da festa. Antes de subirmos a Calle Pumacurco, optamos por conhecer a praça da Iglesia de San Cristobal, que também ficava a poucos metros do hotel e que diziam ter uma vista espetacular da cidade de Cusco. Tiramos algumas fotos panorâmicas da cidade e pudemos ter noção da quantidade de gente que se dirigia ao santuário.

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O INTI RAYMI

A peregrinação tinha início no centro de Cusco e seguia por toda a Calle Don Bosco, principal via para chegar a Sacsayhuamán. Ônibus de viagens, ônibus panorâmicos, carros, ambulantes e pedestres se amontoavam numa confusão absurda. No caminho comemos um hambúrguer bem estranho (que não tenho certeza se era de carne bovina…) acompanhado de uma Coca-Cola e uns duzentos metros acima, já estávamos na entrada do Parque Arqueológico de Sacsayhuamán, junto com uma multidão de turistas. No caminho passamos por uma pequena queda d’água e aproveitamos para fazer algumas paradas com o intuito de recuperar as energias já que, quanto mais subíamos, mais os efeitos do soroche se acentuavam.

As pessoas eram das mais variadas nacionalidades, europeus, asiáticos e sul-americanos se misturavam numa massa heterogênea e confusa. Seguindo essa multidão, tentamos achar “um lugar ao sol” nas colinas para ver a apresentação, missão essa que se revelou um tanto ingrata pois, logicamente, os melhores lugares já estavam ocupados. Resistimos à tentação de comprar empanadas por apenas 1 sol (a cara dela estava péssima!) e finalmente conseguimos nos “aconchegar” no meio da multidão. De onde estávamos tínhamos uma visão parcial do palco, mas uma boa visão do cenário total. A gente teve a opção de gastar alguns dólares para assistirmos à apresentação das arquibancadas, uma área VIP feita para quem não quer se estapear para assistir à festa, mas não achamos que valeria a pena, afinal, estávamos fazendo um mochilão. Mas, para quem não tem muita paciência para multidões, não quer ser pisoteado ou não quer arriscar tomar uma garrafada na cabeça (serve para frutas e outros objetos também!) o melhor é reservar com bastante antecedência um lugar nas arquibancadas.

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Cristo Blanco

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A apresentação é linda, muito bem organizada e ensaiada. Mesmo no meio da confusão, conseguimos tirar umas fotos bem legais! (O Fabricio praticamente fez um ensaio com uma pequena peruana que estava nas costas do pai). O Inti Raymi, que significa literalmente “Festa do Sol” ou “Festival do Sol”, é a encenação de uma cerimônia inca, com invocações a Inti, o Deus Sol, em comemoração ao solstício de inverno, com muita música e danças típicas. O espetáculo encerra-se com a simulação do sacrifício de uma lhama. Mas não tivemos paciência de esperar até o final. Descendo as colinas de Sacsayhuamán, aproveitamos para, finalmente, tirar fotos diurnas do parque arqueológico e fumar o primeiro cigarro do dia (Cusco definitivamente não é lugar de fumante).

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O CUY SORRIDENTE!

No caminho de volta passamos pelos mesmos ambulantes e, para a nossa surpresa, vimos pela primeira vez um cuy (porquinho da índia) assado, no espeto, com dentinhos e tudo! Bizarro! Nem lembramos de tirar fotos, tamanho foi o choque! (rindo alto…)

 

A AVENIDA EL SOL

Passamos no hotel para descansar um pouco da caminhada e aproveitamos para tirar mais algumas fotos do local. Em seguida, resolvemos ir para os arredores da Plaza ver a movimentação, afinal essa seria nossa última noite “útil” em Cusco. Passamos mais uma vez pela Plaza Regocijo e seguimos pela Avenida El Sol, a “Presidente Vargas” de Cusco. Nessa Avenida, encontramos os serviços essenciais da cidade: bancos, casas de câmbio, agências de viagem, restaurantes, padarias etc. Tiramos fotos de alguns painéis pelo caminho e concluímos com fotos externas noturnas em Qorikancha.

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O CENTRO QOSQO DE ARTE NATIVO

O boleto turístico geral dava acesso também ao Centro Qosqo de Arte Nativo. Na volta da Avenida El Sol, passamos em frente a essa casa de espetáculos, pegamos as informações necessárias e decidimos que seria nosso último programa em Cusco. Fomos comer algo e voltamos por volta das 20h para as apresentações. Uma banda ao vivo toca músicas típicas enquanto os dançarinos realizam as tradicionais coreografias com temas variados das muitas províncias de Cusco. Atenção especial na hora da “Marinera” uma das últimas apresentações feitas por um casal de dançarinos.

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ÚLTIMA NOITE

Na prática essa não seria nossa última noite em Cusco (voltaríamos para pernoitar duas noites depois), mas na última de fato não teríamos tempo de fazer nada, apenas dormir, então o clima já era de despedida já que no dia seguinte partiríamos para o objetivo maior da viagem: Machu Picchu!

 

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América do Sul, Cusco, Peru

CUSCO: VALLE SAGRADO

 

 

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Ruínas de Pisac

 

Cusco, domingo, 23 de junho de 2013 (3° dia).


 

A ESPERA

Acordamos cedo conforme o planejado, tomamos um café breve e nos dirigimos para a agência de turismo. Lá fomos levados para uma das muitas praças de Cusco, a Plaza Regocijo, para aguardar a saída do micro-ônibus que nos levaria ao Vale Sagrado. Esperamos, pelo menos, 40 minutos até a agência se organizar com todos os turistas e motoristas etc. O guia da vez (infelizmente) não era o Juan Carlos e sinceramente, nem me recordo do nome do guia, mas sei que ele não era lá muito simpático… Ou simplesmente tínhamos nos acostumado com os gritos de “Grupo de Juan Carlos!”.

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AS ESTRADAS PERUANAS

As paisagens nas estradas peruanas são lindíssimas, tanto que até nos fazem esquecer do quanto são perigosas, com suas curvas, desfiladeiros e precipícios. Durante todo o caminho pudemos observar a Cordilheira dos Andes com seus picos nevados. Pegamos a estrada em direção a Pisac e alguns minutos depois, paramos em um vilarejo com uma espécie de lojinha popular de artesanato, onde fomos recebidos por lhamas e simpáticos vendedores peruanos. Degustamos um chá de coca (com uma folha só, para economizar) e tiramos algumas fotos da paisagem campestre. Ficamos mais ou menos meia hora e nesse ponto conhecemos um casal de alemães que, para variar, não me recordo os nomes. Casal este com quem conversaríamos com mais desenvoltura em Ollantaytambo, algumas horas depois.

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PISAC

Graças a Deus não havia nenhum sinal de chuva pelo caminho, apenas algumas nuvens esparsas. No caminho para Pisac, avistamos os primeiros “tuk-tuks” peruanos (motos que carregam um ou dois passageiros extras) e paisagens com ruínas essencialmente agrícolas, com campos de cultivo em multiníveis. O vai e vem das estradas acentuou ainda mais o soroche. Comemos um milho (gigante!) na entrada do sítio e seguimos em direção a “Westeros”, já que segundo o Fabricio a paisagem era digna de um episódio de Game of Thrones. Pisac é realmente incrível, mas para variar, não conseguimos conhecer nem a metade. O lugar é imenso! Mas estava cheio como o centro de uma cidade grande. Para quem tiver tempo sobrando, vale passar metade de um dia em Pisac, certamente. Até porque existe um mercado popular muito interessante nos arredores desse sítio. Tão interessante que nos perdemos no meio do povo, sempre pechinchando os preços, e atrasamos “um pouquinho” a viagem do grupo… O povo peruano é encantador, simpático, receptivo, solícito, sempre disposto a agradar o turista, mas… pechinche SEMPRE! Os preços são feitos para outra realidade e, se bobear, o viajante desavisado acaba pagando o dobro do preço em algo que para eles é comum. Em Pisac, nesse esquema, comprei mais uma boa parte das lembranças que levei para o Brasil na volta.

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BREVE PARADA PARA O ALMOÇO

No caminho para Ollantaytambo paramos em um restaurante de beira de estrada para almoçar. Descobrimos nesse restaurante o porquê de nosso pacote para o Vale Sagrado ter saído tão em conta: tínhamos que bancar o nosso almoço, que não estava incluído… Dica: informe-se sobre isso ao fechar um pacote turístico! O restaurante self-service era bem apresentável, mas quem fosse fresco para comida (como eu), não se interessaria pela maioria das coisas disponibilizadas no cardápio. Muito peixe, frutos do mar e várias outros pratos que simplesmente não conseguia definir. Fiquei no tradicional macarrão com carne.

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OLLANTAYTAMBO

Ollantaytambo (ou simplesmente Ollanta) é um vilarejo que fica no caminho para Machu Picchu Pueblo (Aguas Calientes). Foi, de longe, um dos lugares mais incríveis da viagem. Não só pelo tamanho colossal do sítio arqueológico, mas por toda a geografia ao redor e a incrível arquitetura dos incas. A cidade possui canais construídos artificialmente para direcionar água (potável, creio eu), que passam em frente às casas dos moradores. Escadas eternas, armazéns no alto da montanha para estocar alimentos, centenas de viajantes disputando um espaço para ouvir as histórias dos guias, tudo muito peculiar. Umas das atrações mais interessantes nessas ruínas é o Templo do Sol, objetivo final da maioria dos turistas que a visitam (outra construção que intriga quando paramos para tentar imaginar como ela foi construída). Assim como em Qorikancha, em Ollanta podemos observar a perfeição dos nichos construídos para abrigar imagens sacras e o que restou de pedras polidas por ferramentas desconhecidas. Além dos “tuk-tuks” já mencionados, em todo o vilarejo notamos a presença de touros gêmeos em cima das casas. Não lembro bem qual era a função deles, mas provavelmente era para a proteção espiritual da propriedade e, normalmente, eram acompanhados de uma cruz. A parte mais engraçada e inesperada da viagem aconteceu em Ollanta: na saída da cidade pegamos um trânsito absurdo e no meio do engarrafamento um bêbado começou a provocar o motorista da nossa van, com gritos, xingamentos e cuspidas no vidro. Este, para a surpresa de todos, partiu pra cima do bêbado aos chutes e pontapés! Impagável!

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CHINCHERO

No caminho para Chinchero, a superlua já havia dado o ar da graça. Esse pequeno vilarejo é conhecido pelo artesanato e criações de cuy (porquinhos da índia criados para alimentação!). Uma pena termos chegado apenas à noite, mas ainda assim conseguimos tirar boas fotos do artesanato e registrar um vídeo de aniversário para o amigo Johnny, que não conseguiu as tão desejadas férias para nos acompanhar nessa viagem. Em Chinchero os artesãos dão detalhes da fabricação e tingimento dos tecidos, tudo bem interessante, mas com os preços bem mais elevados que em outros mercados populares. Ao irmos embora, um grupo de peruanas com suas roupas típicas cantaram uma música tradicional na porta do nosso ônibus. Inesquecível!

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A SUPERLUA ILUMINANDO O “UMBIGO DO MUNDO”

Depois das altas emoções do dia, fomos deixados novamente nos arredores da Plaza de Armas e aproveitamos para tirar algumas fotos noturnas, o que ainda não tínhamos feito. Tentamos registrar a superlua na praça, mas as fotos não ficaram lá essas coisas. Fomos comer alguma coisa e acabamos dividindo a mesa com duas americanas bem simpáticas. Elas estavam fazendo intercâmbio e estudando espanhol em Cusco e foi uma ótima oportunidade para desenferrujar um pouco o meu inglês.

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MAIS UM CIGARRO ETERNO…

O cansaço não permitiu que sequer pensássemos na possibilidade de irmos para a balada aquela noite, até porque o dia seguinte seria reservado ao tão esperado Inti Raymi e ainda queríamos conhecer Maras e Moray. No alto da Calle Pumapurco (subimos de táxi dessa vez!), em frente ao Chincana, fumei o derradeiro e eterno cigarro escutando a balada no morro em frente (que seria “a boa” da noite se não fosse tão sacrificante a simples ideia de subir outra ladeira naquele frio), bebemos mais um chá de coca no salão principal do hotel (o industrializado, em saquinhos, que não é tão bom) e finalmente nos rendemos a Morfeu.

 

 

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América do Sul, Cusco, Peru

CUSCO: O CITY TOUR

 

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Ruínas de Tambomachay

 

 

Cusco, sábado, 22 de junho de 2013 (2° dia).


 

COMPROMISSOS MATINAIS

Na manhã seguinte tínhamos algumas questões pra resolver: comprar as passagens pra Nazca e fechar o city tour. Tomamos um café rápido no hotel (bem honesto, mas eu não gostava de metade das coisas, então não comi muito) e nos colocamos a descer a montanha!

ADEUS NAZCA…

Passamos em uma das muitas agências de turismo no entorno da Plaza de Armas (Naty’s Travel Agency), fechamos o passeio para a parte da tarde e seguimos para um escritório da Cruz Del Sur, empresa de ônibus que teoricamente nos levaria à Nazca, no centro urbano da cidade perto da estátua de Pachacútec. Inviável! Não havia tempo hábil, quase vinte horas de viagem… Infelizmente (e infelizmente MESMO, pelo menos para mim!) tivemos que abortar essa missão e teríamos que ir de avião para Lima…

O CITY TOUR

Depois de comer alguma coisa, provavelmente empanadas (pois só comíamos isso), fomos encontrar com o grupo do city tour por volta das 13h. Um grupo bem diversificado pelo que vimos: um casal de brasileiros, chilenos, argentinos, peruanos, todos seguindo o guia da vez, Juan Carlos, que era bem simpático e solícito, mas ligeiro demais. Ele passou o dia gritando “Grupo de Juan Carlos!! Grupo de Juan Carlos, por aqui!!”, “Brasil, por aqui, vamos!”. Não tínhamos muito tempo para dispersar. Uma loucura total!

QORIKANCHA

A primeira parada foi em Qorikancha (ou Coricancha/Koricancha), um dos templos mais importantes para os incas, que após a colonização espanhola foi parcialmente destruído e transformado no Convento de Santo Domingo. Estava frio, mas suportável. O difícil era respirar… Nesse templo você começa a ter noção da perfeição da arquitetura inca quando comparada com a espanhola. O convento estava decorado com a bandeira do arco-íris (não, não era apologia à cultura gay, a bandeira de Cusco é um arco-íris mesmo…). Nichos construídos para abrigar imagens sagradas esculpidas em metais preciosos, dividiam a atenção com portas perfeitamente alinhadas, como a Porta Cerimonial Inca, com mais ou menos dois metros e meio. Essas esculturas, logicamente, foram saqueadas pelos espanhóis. Vale a pena pagar para conhecer Qorikancha (não está incluso no boleto turístico geral, na época tivemos que pagar 10 soles na entrada).

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O antigo templo é um prato cheio para os adeptos da Teoria dos Alienígenas do Passado (loucos como eu), pois podemos verificar alguns artefatos que, por mais que o guia e os arqueólogos tradicionais tentassem explicar de uma maneira racional a sua construção, visivelmente só poderiam ter sido feitos utilizando-se de uma tecnologia mais avançada do que supomos. Estava começando a ficar interessante… Uma das partes que mais chamaram a atenção em Qorikancha, e que o guia passou um bom tempo explicando, foi a Via Láctea na visão inca em que, para variar, eles enxergavam uma lhama no céu. Existe um painel colorido gigantesco explicando essa parte da astronomia inca. Através das sacadas de Qorikancha, podíamos vislumbrar a Avenida El Sol, provavelmente a via mais importante da cidade.

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Porta Cerimonial Inca

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A Via Láctea

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A Avenida El Sol vista de Qorikancha

 

TAMBOMACHAY

Depois do Convento de Santo Domingo, pegamos a van da agência e fomos para Tambomachay, a 11 km de Cusco. Lá, compramos o boleto turístico que dá direito à maioria das atrações da cidade por 130 soles. Este foi o lugar mais alto que eu fui em toda a minha vida: 3.765 metros acima do nível do mar! Por esse motivo e por não ter me precavido comprando um Sorojchi Pills, o mal de altitude estava gritante! (consequentemente o meu mau-humor também…). Muita gente pode achar que é frescura, mas se a pessoa começar a sentir os sintomas do soroche ainda em Cusco, pode ter certeza que o auge será em Tambomachay… O Fabricio ficava zanzando para lá e para cá, interagindo, tirando fotos e eu tentava acompanhar.

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Tambomachay é um sítio arqueológico dedicado ao culto da água, então possui várias (e lindas) fontes, mas acredito que não conhecemos nem a metade, visto que o lugar é enorme e o tempo muito curto. Uma pena porque, assim como a maioria das ruínas peruanas, o lugar é realmente espetacular. A realidade é que o tempo de viagem era muito curto para conhecer a fundo cada sítio e, nessas horas de lucidez, eu me arrependia de não ter tirado mais dias de férias…

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PUKAPUKARA

Pukapukara tem uma das vistas mais espetaculares que eu já vi. Ao mesmo tempo em que observávamos terrenos cultiváveis na paisagem bucólica, podíamos ver ao longe as cadeias de montanhas (algumas com o topo nevado). Pelo que me lembro, trata-se de uma antiga fortaleza inca e, como na maioria das ruínas, estava cheia de vendedores de artesanato na entrada. Coisas tão interessantes que dava vontade de levar tudo! Mas esse foi o passeio mais rápido do city tour. Nesse o Juan Carlos se superou! Tivemos, no máximo, quinze minutos para conhecer o lugar e tirar fotos. Nas montanhas distantes podíamos ver partes já sombreadas, indicando a chegada do pôr do sol. Tínhamos que nos apressar!

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QÉNQO

Nessa ruína o frio já estava apertando, pois o sol já não nos alcançava. A vista de Qénqo (ou Qenco/Kenco/Kenqo) é tão bonita quanto a anterior, com a diferença de que conseguíamos enxergar também um pouco da parte urbana da cidade. Logo na entrada vemos uma pedra gigante (que o Juan Carlos deve ter dado uma boa explicação, mas não quisemos acompanhar) e começamos a descer em direção a uma mesa cerimonial usada para sacrifícios (!) também feita de pedra. A vibração do lugar é bem diferente. Eu fiquei imaginando como e se realmente houveram sacrifícios humanos ou animais em cima daquela pedra extremamente lisa e gelada. Nesse momento, se estivéssemos um pouco mais comunicativos, teríamos conhecido Coté, Evelyn e companhia, nossos amigos chilenos com os quais futuramente esbarraríamos em Aguas Calientes. De Qénqo, rumamos para a última ruína do dia (e a mais importante, na minha opinião).

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SACSAYHUAMÁN

Estar em Sacsayhuamán foi como ver um sonho nonsense sendo realizado. Quantas oportunidades nós temos de estar em um lugar em que achávamos que só veríamos pelo History Channel? Sacsayhuamán merece, pelo menos, metade de um dia. Se passamos 30 minutos, foi muito… Mas, claro, foi uma experiência inigualável. Nem o frio cusquenho, que já caía pesado àquela hora, nos desanimava. Uma fortaleza? Zonas agrícolas? Um santuário? A mim pareceu uma fortaleza. Juan Carlos mostrava a imagem de uma lhama (lógico!) esculpida nas pedras. E não é que parecia mesmo? A superlua era aguardada para o dia seguinte, mas isso não queria dizer que ela não poderia iniciar o espetáculo na noite anterior. A lua cheia pairando atrás do Cristo Blanco e, mais tarde, entre as ruínas de Sacsayhuamán, era uma visão espetacular! Juan Carlos, o guia, explicava coisas sobre as pedras. Algumas mediam até cinco metros e podiam chegar a trezentos e cinquenta toneladas! Todas perfeitamente alinhadas sem o uso de qualquer tipo de argamassa! COMO?!

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Foi em Sacsayhuamán que os espanhóis derrotaram os incas em 1536. A fortaleza foi pensada para representar a cabeça e os dentes de um puma, ou pelo menos é o que diz as lendas a respeito das construções em volta de Cusco. Segundo o projeto dos incas, o templo de Qoricancha representava a cauda. Com o cair da noite, chegava ao fim o nosso primeiro “Indiana Day”. Fomos levados de van até a Plaza de Armas e no caminho percebemos o quanto a fortaleza encontrava-se perto do nosso hotel. Decidimos que tentaríamos voltar com mais tempo para explorar o lugar.

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O CARTÃO QUE NÃO PASSOU!

Ao chegar à Plaza de Armas, nos direcionamos à primeira agência de viagens que achamos aberta. Tínhamos que comprar as passagens de avião para Lima. Conforme combinado em caso de emergências, usaríamos o cartão do Fabrício para comprá-las. E quem disse que ele passou?! (risos eternos!). Depois de preencher todos os dados necessários, o cartão não passava por nada! Sabe-se lá porque… Diz o Fabricio que a senha estava correta e o cartão desbloqueado então, provavelmente, era um problema da máquina. Enfim, tivemos que sacar dólares e pagar em cash… Mais uma lição para o currículo de viajante: não confie (apenas) no seu cartão de crédito internacional…

UM FRANGO NA ESQUINA E MAIS EMPANADAS PARA VIAGEM

Depois do pequeno susto com o cartão, precisávamos comer alguma coisa, mas antes resolvemos experimentar a tão falada Cusqueña, cerveja emblemática de Cusco e comprar algumas guloseimas em um dos mercadinhos da redondeza (mais que nunca, agora precisávamos economizar!). Como na maioria dos lugares frios, as bebidas não eram vendidas muito geladas, mas a Cusqueña caiu bem, ao menos para mim. Resolvemos encarar uma das “casas de pollos”, “polleterias”, “frangueterias”, enfim, uma casa especializada em frangos preparados de todos os modos possíveis: assado, cozido, frito, na sopa… Essa parte da viagem foi uma das mais emocionantes, pois, enquanto devorávamos nosso frango assado com fritas, um senhor de idade já bem avançada se aproximou de nossa mesa e balbuciou algo que a princípio não entendemos. Com certa dificuldade compreendemos, finalmente, que ele estava pedindo o resto de nossa comida… Foi difícil conter as lágrimas. É duro constatar que a pobreza e a fome ainda fazem vítimas em diversas partes do mundo, principalmente na África e na América Latina. Depois do susto com o cartão e desse choque de realidade, entregamos o que sobrou para o velho peruano e chegamos à conclusão que naquela noite só precisávamos de algumas empanadas para viagem e cama!

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América do Sul, Cusco, Peru

Plaza de Armas e Arredores | Cusco, 2013

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Iglesia de la Companía

Cusco, sexta-feira, 21 de junho de 2013 (1° dia).

CHOQUE TÉRMICO, CHOQUE ATMOSFÉRICO, CHOQUE CULTURAL


Logo que desembarcamos em Cusco, fomos tomados por um frio descomunal! Tinha me esquecido que era o primeiro dia de inverno e estávamos a mais de dois mil metros de altitude. Com os casacos na mala, começou um bater de queixos que parecia não ter fim… E também foi o começo dos males de altitude, também conhecidos como soroche. Por causa do meu companheiro de viagem (que dispensou o táxi oferecido pelo hotel, pela bagatela de 15 soles), tivemos que pagar 30 soles para ir do aeroporto ao hotel! 25 pro taxista e mais 5 de taxa de aeroporto, já que ele era ilegal. Vivendo e aprendendo…

O primeiro dia foi um verdadeiro desafio, já que não tínhamos dormido e nem nos alimentado direito e o soroche estava me incomodando demais! Ainda assim, após deixarmos as malas no hotel, fomos conhecer a cidade.


O HOTEL


O Casa Escondida Chincana Wasi é um hotel bem aconchegante. Instalado em um antigo casarão colonial a vinte minutos do aeroporto e a três quarteirões da Plaza de Armas, a decoração tem um estilo bem peculiar, desde espelhos solares a quadros com motivos cristãos e esculturas incas. Além de contar com a conveniência do wi-fi em todos os cômodos, possuía várias áreas de convivência. O salão principal conta com sofás confortáveis e uma lareira para aquecer os hóspedes do frio cusquenho. Assim que chegamos fomos recepcionados pelo Augusto (Hola!) e pudemos degustar nosso primeiro chá de coca (que não tem nada de anormal e não, não dá onda!). O maior defeito do Chincana é ficar no pé da montanha (Calle Pumacurco, 635), mas o mesmo defeito se tornaria uma vantagem quando tivéssemos que ir para o Inti Raymi, no santuário de Sacsayhuamán, a pé. Estávamos na metade do caminho! Indo em direção à Plaza de Armas, passávamos diariamente pelo Museo de Arte Precolombino (que não chegamos a entrar) e pelo bar Fallen Angel (que sempre estava fechado para eventos particulares) na Plazoleta de Las Nazarenas.

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Chá de coca industrializado

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PRIMEIRA VISÃO DA PLAZA DE ARMAS


Chegamos em meio aos preparativos para o Inti Raymi (o Festival do Sol), talvez a data comemorativa mais popular no Peru, e a cidade estava muito movimentada. Vendedores, crianças, idosos, cambistas, todos se amontoavam ao redor da Plaza de Armas. E o que é a Plaza de Armas?! Um lugar incrível!

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Plaza de Armas
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Plaza de Armas com a Iglesia de la Companía ao fundo

Eu não diria que é apenas um local importante de se conhecer já que, estando em Cusco, é praticamente IMPOSSÍVEL não passar pela Plaza de Armas, pois toda a vida cultural e turística da cidade fica basicamente nos seus arredores. Conhecida como Huacayapata (Praça dos Guerreiros ou dos Pesares), a Plaza de Armas, na época dos incas era o ponto principal das comemorações anuais do Inti Raymi. Além da importância religiosa e cerimonial, o local tem grande relevância histórica, uma vez que foi ali que ocorreu em 1781 a decapitação de Túpac Amaru II, o líder rebelde dos incas e também onde Francisco Pizzarro reivindicou Cusco para a Espanha. Hoje em dia, nos arredores da Plaza, podemos observar a influência espanhola nos arcos de pedra e em duas imponentes igrejas: a Catedral de Cusco e a Iglesia de la Companía (que frequentemente são confundidas, devido à semelhança).

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Plaza de Armas e Catedral de Cusco

A PRIMEIRA REFEIÇÃO A GENTE NUNCA ESQUECE


Apesar do soroche, resolvi fumar o primeiro cigarro em Cusco e percebi que ele simplesmente durava o dobro do tempo! Não sei se tem uma explicação cientifica para isso, mas desconfiamos que seja pela diminuição do oxigênio. Enfim, os cigarros simplesmente não tinham fim em Cusco! E dá-lhe dores de cabeça, tonturas, enjoos, mau-humor… Nossa primeira refeição foi um misto quente com a famosa Inca Kola. Tanto o pão, quanto o queijo e o presunto têm o gosto um pouco diferente, mas nada superou a célebre gaseosa. A Inca Kola lembra um pouco o Guaraná Jesus (refrigerante com cor e gosto de chiclete que é muito consumido no nordeste do Brasil e na popular Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro). Como seu parente brasileiro, a Inca Kola tem gosto de chiclete, mas a coloração lembra a do cloro! Enfim, eu pessoalmente não curti muito essa paixão nacional.

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Inca Kola, uma paixão nacional

VICIADOS EM EMPANADAS VISITAM O ARCO DE SANTA CLARA


 

Depois de umas fotos nos arredores do Arco de Santa Clara, achamos uma lojinha com as tradicionais empanadas! E como comemos empanadas nessa viagem! Só nessa loja comemos três empanadas cada um, sempre acompanhadas de muito ají  (tempero cremoso típico, à base de pimenta). Também provamos a chicha morada (cerveja à base de milho e especiarias). Interessante, mas nada de mais. O Peru tem trinta e cinco tipos de milho e mais de quatro mil tipos de batatas. Existem milhos vermelhos, marrons, amarelos, brancos… O milho usado na chicha morada é roxo e muito comum na cordilheira dos Andes.

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Arco de Santa Clara

1 SOL, 2 SOLES, 3 SOLES…


Em seguida fomos negociar luvas e gorros em um mercado popular de artesanato. Aproveitamos para ir ao banheiro e descobrimos que os peruanos cobram por quase tudo: 1 sol pelo uso do banheiro, 1 sol pra tirar uma foto… Até as crianças, aparentemente, já foram doutrinadas nessa filosofia, mas com toda a pobreza que constatamos, até que me parece justo…

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Mercado de artesanato

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Ao sairmos do mercado, a cidade estava ainda mais cheia. Nos informamos e descobrimos que todas as províncias visitam Cusco nessa época (que sorte, hein!?). Pessoas se abarrotavam na Plaza para assistir aos desfiles, para tirar fotos aos pés da estátua de Pachacútec e nós desviávamos de um vendedor de cinco em cinco segundos: “No, gracias!”.

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Estátua de Pachacútec no centro da Plaza de Armas

A PEDRA DE DOZE ÂNGULOS


Resolvemos seguir os conselhos do guia turístico que eu comprei e fomos conhecer os famosos muros incas na parede externa do Museo de Arte Religioso. Aproveitamos para comprar mais quinquilharias de lembrança (muitas!) e vimos a tão falada Pedra de Doze Ângulos. Foi justamente nessa pedra que um nativo começou a conversar comigo como quem não quer nada e me passou várias informações interessantes. A surpresa veio no final quando ele perguntou “O sr. tem uma contribuição para que eu possa continuar o meu trabalho?”. Lá se foram mais uns 2 ou 3 soles. Com a moça da lhama com o bebê foi a mesma coisa: “A contribuição é voluntária!” Eu dei 1 sol e ela quase me fuzilou com o olhar… “Só isso?!”. Esses peruanos…

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A Pedra de Doze Ângulos
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Artesanato nos arredores da Pedra de Doze Ângulos

A CARNE DE ALPACA


Na hora do almoço paramos em um restaurante na Plaza, o Tabasco, especializado em comida mexicana e peruana. Depois de uns nachos acompanhados de guacamole como entrada, eu como sempre, não quis arriscar e pedi um frango, mas o Fabricio resolveu experimentar carne de alpaca e gostou. Comi um pedaço e não vi nada de mais, carne normal, só um pouco agridoce. Valeu pela experiência. Depois dessa pequena odisseia, decidimos que uma soneca cairia bem e pegamos o caminho de volta para o hotel.

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Tabasco: simples, mas eficiente
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Nachos da casa
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A famosa carne de alpaca

ESCALANDO A MONTANHA


Subir a ladeira da Calle Pumapurco pela primeira vez foi, de longe, uma das experiências mais grotescas da minha vida. Parecíamos dois velhos de 80 anos, só que os velhos peruanos conseguiam subir mais rápido que a gente (e geralmente com peso nas costas!). Vergonhoso… Quando finalmente chegamos ao hotel eu me lancei na cama e dormi até umas 20h.


BALADA! SÓ QUE NÃO…


 

Depois de recuperar um pouco as energias, nos lançamos em nossa primeira noite em Cusco. Famosa pela vida noturna, tínhamos diversas opções de boates e bares pela cidade.


A PLAZOLETA SAN BLÁS


Como a intenção era ficar bêbado rápida e economicamente, compramos uma garrafa de vinho para cada um e fomos conhecer San Blás, o bairro boêmio, que de boêmio aquela noite não tinha nada! A Plazoleta de San Blás estava praticamente vazia, com uns poucos gatos pingados e uns “cachorros-lhamas” que iam pra lá e pra cá. Ficamos cerca de meia hora sentados num frio indescritível, olhando para a perfeição da lua cheia naquela noite e decidimos rodar pela Plaza de Armas. Lá chegando, já fomos abordados por outro vendedor. Só que em vez de pacotes turísticos, ele tinha um completo arsenal de drogas pela bagatela de 50 soles! Não, não fechamos negócio!


MAMA AFRICA


Depois de muito ponderar sobre as opções e conhecermos algumas figuras da Argentina, decidimos entrar no Mama Africa, certamente a boate mais famosa de Cusco. O clima era legal, muita gente bonita (a maioria estrangeiros) e música animada (reggaeton nas alturas!). Ficamos pouco, uns quarenta minutos, desviando dos gringos alcoolizados e superanimados, mas o lugar é bem interessante e econômico (geralmente a entrada é gratuita). Afinal, decidimos que era melhor guardar as energias para o dia seguinte, mas ainda tínhamos que encarar a ladeira novamente… TENSO!

A seguir: O City Tour | Cusco

América do Sul, Peru

O Sonho Inca

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O GIGANTE ACORDOU?!


Em junho de 2013, o país inteiro estava vivendo uma época bem peculiar: o início dos protestos por melhorias nos transportes e outros serviços públicos, protestos anticorrupção, anti Copa etc. Eu cheguei a participar de um desses protestos no Rio de Janeiro,  provavelmente o maior deles, no dia 17 de junho, antes de embarcar para o Peru.

A sincronia com os protestos em outros estados e, principalmente, no Distrito Federal, reacendeu uma nova esperança para com a situação política do país (mesmo que descobrisse depois que essa sensação não duraria muito…). E nesse cenário um tanto conturbado, estávamos deixando o Brasil rumo à Cordilheira dos Andes, em minha primeira viagem internacional.

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Protestos no Rio de Janeiro, junho de 2013

 VACINAS, PASSAPORTES E OUTROS DETALHES


Para entrar no Peru (de longe o país com mais trocadilhos e frases ridículas de duplo sentido…) é necessário tomar a vacina contra a Febre Amarela, o que fizemos alguns meses antes em um posto de saúde no bairro de Vila Isabel, no Rio de Janeiro. A vacina é gratuita, válida por dez anos e, pelo menos em mim, não provocou nenhum efeito colateral. Depois de tomá-la, é necessário obter um Certificado Internacional de Vacinação  disponível em alguns postos de atendimento da ANVISA . O meu foi retirado no do Aeroporto do Galeão, mas existem postos em vários bairros e, provavelmente, em várias outras cidades do Brasil. Íamos retirar no mesmo dia em que tomamos a vacina, mas esqueci de levar um documento de identificação válido e tive que retirar no aeroporto alguns dias depois (não esqueça desse detalhe, levar um documento!).

Fora isso, devido à época do ano, precisávamos estar preparados para um inverno mais intenso que o do Rio, desse modo, alguns apetrechos eram necessários. Alguns comprados aqui, outros lá, mas não se vai ao Peru no inverno sem pensar nisso…

Sugerido por uma amiga, eu fiz questão de tirar o passaporte para carimbá-lo em Machu Picchu. Então, quem costuma guardar carimbos de recordação, não deve esquecer-se de levar o seu passaporte à Machu Picchu! Mesmo que não seja necessário para entrar no país (bastando apenas um documento de identificação válido), serve para levar uma bela recordação para casa!

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Carimbo de Machu Picchu

MEMÓRIAS DA INFÂNCIA


Meu relacionamento com Machu Picchu, até onde me recordo, começou ainda criança ao assistir na extinta TV Manchete a minissérie “Filhos do Sol”. Pesquisei na internet com o intuito de relembrar a trama:

“Em São Tomé das Letras, interior de Minas, o ufólogo Airton descobre que extraterrestres estão em Machu Picchu, Peru. Ele parte para lá se encontrando com Hiran, que havia descoberto uma estranha pedra capaz de matar quem se aproximasse dela. Os mistérios são ampliados quando localizam um túnel que ligava São Tomé das Letras à Machu Picchu.”

(Viu, Dani… Você não me levou até São Tomé no Carnaval, tive que ir até Machu Picchu! Rá!)

Coincidentemente o mesmo autor da série, Walcyr Carrasco, escreveu a novela “Amor à Vida” que estreou basicamente na mesma época em que viajamos (e, provavelmente, foi o motivo de encontrarmos tantos compatriotas em Cusco…).

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Viajar para o Peru foi, como esperado, uma experiência e tanto! Depois de anos de planejamento, minha primeira viagem internacional finalmente saiu do papel. O plano original incluía parte da Bolívia, mas por motivos de força maior (falta de tempo e de grana) o roteiro se limitou às terras incas e à atual capital do território peruano. O Lago Titicaca, Tiahuanaco e Puma Punku ficariam para uma próxima oportunidade…

Mesmo no Peru, alguns ajustes tiveram que ser feitos, pois ficamos à mercê de alguns acontecimentos, como imprevistos financeiros e os efeitos nocivos da altitude (soroche). O roteiro também incluía o famoso voo panorâmico sobre as Linhas de Nazca e, talvez, um rafting  no Rio Urubamba, mas tudo isso ficou só na vontade. Em compensação, tivemos um tempo razoável para conhecer bem a cidade de Cusco, passar um dia e uma noite em Aguas Calientes (Machu Picchu Pueblo) e, de quebra, fazer um mini tour pelo bairro de Miraflores, em Lima. Falo sempre no plural porque, logicamente, não viajei sozinho. Essa experiência grandiosa foi dividida com o Fabricio, amigo de trabalho com quem vinha planejando essa viagem há anos. Aproveitamos as férias vencidas e os valores interessantes das passagens para passar oito dias imersos em uma cultura milenar.

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Valle Sagrado dos Incas

DORMINDO NO AEROPORTO


A ida foi “punk”, com três voos, duas escalas e quase vinte horas para chegar ao destino final (são os “poréns” de se viajar economicamente). Fomos de Lan Chile e ficamos cerca de seis horas tentando dormir no aeroporto de Lima (o  Aeroporto Internacional Jorge Chávez, um dos melhores da América do Sul) esperando o voo que nos levaria, finalmente, a Cusco. Digo “tentando” porque em determinada hora da madrugada, após sofrermos um susto com a “enceradeira assassina” de uma funcionária do aeroporto, alguém resolveu continuar a obra e ligou uma britadeira bem embaixo de onde estávamos! – traumatizante… O aeroporto de Cusco (Aeroporto Internacional Alejandro Velasco Astete), é bem menor e bem mais frio, claro! Pelo menos não tivemos nenhuma mala extraviada! Ah, e experimentamos a empanada peruana! (mas as empanadas de aeroporto não são lá essas coisas…)


RESUMO DO ROTEIRO
Destino: Peru
Meios de Transporte: Avião e trem
Quilometragem: 5.619 km de avião + 224 km de trem
Período: 20/06 – 28/06/2013

A seguir: Plaza de Armas e Arredores | Cusco