Cultura

Em Portugal e Espanha, colonização é ensinada como ‘expansão de território’

Via Natália Eiras / Tab

Nestes lugares, os descobrimentos são explicados como meros processos de “expansão de território”, que representou momentos gloriosos de suas respectivas jornadas.

desembarque-de-cabral-em-porto-seguro-oleo-sobre-tela-de-oscar-pereira-da-silva-1904-1593811327984_v2_900x506 Acervo do Museu Histórico Nacional
Desembarque de Cabral em Porto Seguro. Óleo sobre tela de Oscar Pereira da Silva, 1904. Imagem: Acervo do Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro

 

 

Cultura, Imigração, Notícias

“É preciso descolonizar Portugal”

Num país de maioria branca os negros veem-se logo, mas ninguém repara quando não estão. E não estão em muitos sítios: no Parlamento, nas TV, nas profissões “boas”, nas universidades, nos governos. Uma invisibilidade invisível que a ONU quer combater com a proclamação da década dos afrodescendentes, 2015/24; um apartheid informal que cada vez mais negros portugueses denunciam e tentam “furar”. Vai ser agora, com a terceira geração, dizem

Mamadou Ba, assessor parlamentar do BE, diz que a esquerda tem “falhado estrondosamente” na luta dos negros pela igualdade. Foto Gerardo Santos / Global Imagens

“Tive uma professora negra na escola primária.” A frase de João é recebida com espanto. “Sério?”;”Nunca tive”;”Que sorte”. Estamos na sala da associação de estudantes da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde decorre o período de debate após uma conferência da socióloga Cristina Roldão, intitulada “Perpetuação do Colonialismo: Afrodescendentes e o Acesso ao Ensino”. A investigadora do ISCTE, ela própria afrodescendente, veio falar do que denomina de “racismo institucional” e cujas consequências no percurso dos alunos negros estudou com o colega Pedro Abrantes num trabalho pioneiro, apresentado há um ano. E no qual se conclui que a escola portuguesa discrimina os estudantes negros, mais vezes chumbados e encaminhados para cursos profissionais do que os colegas brancos, mesmo quando a origem socioeconómica é a mesma.

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