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O Simbolismo de um Museu em Chamas

“Um povo sem o conhecimento da sua história, origem e cultura é como uma árvore sem raízes.” ― Marcus Garvey

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Foto: Futura Press/Folhapress.

 

Enquanto eu me mantinha distraído com minhas edições de fotos e vídeos em um domingo de céu estrelado e temperatura agradável, recebi de uma grande amiga que está do outro lado do Atlântico (mais precisamente em Lisboa) uma notícia que me pareceu completamente surreal: o Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, estava ardendo em chamas!

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Foto: Tribuna.

 

Guardadas as devidas proporções, até porque não houve relatos de vítimas, foi como acompanhar em 2001, em tempo real, a queda das Torres Gêmeas de Nova Iorque. Meus olhos simplesmente não conseguiam acreditar naquilo!

O Museu Nacional fez parte da minha infância e certamente da infância de milhões de brasileiros. Vinha há semanas adiando uma visita com o meu filho, que só esteve lá uma vez quando ainda era muito pequeno para lembrar. O passeio à Quinta da Boa Vista, ainda que fosse perigoso em determinadas horas do dia (infelizmente, um lugar comum na cidade do Rio de Janeiro), faz parte da tradição de uma boa parte das famílias cariocas.

Chorei! Doeu ver tantas relíquias sendo simplesmente consumidas pelo fogo. E no meio da confusão comecei a teorizar sobre o que poderia ter acontecido. Teria o museu sido mais uma vítima de balões postos no ar por irresponsáveis? – infelizmente, outra prática comum no Rio… Poderia ter sido vandalizado por algum psicopata com facilidade devido à baixíssima segurança disponibilizada no local? Um curto circuito poderia justificar o início do incêndio que teria sido facilitado pela presença de materiais inflamáveis?

Eu não sei se acontece com todo mundo, mas eu costumo avaliar acontecimentos dessa magnitude a partir de perspectivas não muito convencionais. Sabemos que foi uma tragédia anunciada ocasionada por falta de verba e manutenção precária. Os prédios e monumentos históricos do estado do Rio estão sucateados há décadas, ignorados por governantes corruptos e incompetentes.

Maria Leopoldina, retrato por Joseph Kreutzinger, 1815.

 

Mas não é emblemático demais um prédio dessa importância pegar fogo no dia da assinatura da independência do país pela imperatriz Leopoldina? Sim, o grito de independência foi proclamado em São Paulo, por Dom Pedro I, cinco dias depois da assinatura do decreto de independência do Brasil naquele prédio, no dia 2 de setembro de 1822! E tudo o que historiadores e cientistas conseguiram desenvolver em 200 anos de história estava sendo consumido por um incêndio descomunal!

O sentimento no momento é de luto. O que vi pelas imagens das câmeras de TV e internet que registraram a tragédia, me pareceu como se tivessem acendido a pira funerária de um ente querido e tivessem esquecido de me avisar.

O fogo, assim como os outros três elementos básicos de acordo com os registros de culturas milenares, é atemporal e poderoso. O fogo, em várias dessas culturas, é ligado ao sol, considerado o princípio de tudo e ainda hoje é largamente utilizado em ritos de passagem, religiosos e cotidianos.

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Wikimedia Commons

 

O fogo queimando a cultura, as relíquias históricas, a herança de um país inteiro, não poderia ser a visão mais emblemática da era em que vivemos atualmente no Brasil e, principalmente, no Rio de Janeiro. Resultado do descaso de governos corruptos (não importa o partido) e de um judiciário que não tem como justificar o próprio aumento salarial enquanto a população pena para sobreviver, a perda do Museu Nacional será simbólica, sem sombra de dúvidas. Só nos resta saber em que direção seguirá esse símbolo.

Símbolo da alma, do espírito e da vida em uma visão espiritualista e esotérica, o fogo sempre será sinônimo de destruição, caso não possa ser controlado. Não é à toa que o seu domínio é considerado um presente dos deuses em diversas sociedades antigas (como no mito de Prometeu). Mas ainda na pior das hipóteses, sempre proporcionará a oportunidade de renovação, de renascimento (vide a Fênix mitológica).

A próxima data “comemorativa” e feriado nacional é o 7 de Setembro, na próxima sexta-feira. Independência… Será que não está na hora de declararmos independência da gente amadora e sem escrúpulos que dirige esse país? A mesma gente que joga a conta da má administração pública nas costas dos mais pobres?

Que deixa pessoas morrerem em hospitais precários com profissionais mal remunerados e exaustos, que já consideram cotidiano ver alguém agonizar enquanto passam tempo na bolha dos grupos de WhatsApp? Que desviam dinheiro da merenda de milhares de crianças que mal tem o que comer em casa? Que deixam sucatear instituições de ensino renomadas internacionalmente? Que mata DIARIAMENTE dezenas de inocentes numa guerra civil não declarada?

São as mesmas pessoas que, se não pecam pela ignorância demonstrada no decorrer da vida política, pecam por pura psicopatia, ao colocar interesses pessoais acima dos interesses da população. Foram essas pessoas que permitiram a destruição de nossa memória nacional. Não foram apenas documentos e objetos fossilizados, o fogo consumiu parte da nossa história!

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Alexandria incendiada, por Hermann Goll, 1876.

 

O fogo que consumiu mosteiros e bibliotecas antiquíssimos é o mesmo que reduziu à cinzas a nossa herança nacional. Uma afronta (há quem veja como castigo divino) a todo o conhecimento acumulado por gerações, um atentado à Ciência, às Artes, às Musas! (Essas cujas estátuas ainda resistem no que restou do museu, como testemunhas silenciosas de uma tragédia burra e evitável). Tudo destruído ano após ano por um  descaso descarado daqueles que supostamente deveriam proteger um legado de tamanha importância. A sensação que tenho é que estamos nos destruindo por dentro, sem retorno!

Não, as próximas eleições provavelmente não resolverão todos os problemas do Brasil.  Estamos longe disso. As “opções” que temos, como sempre, são as piores. Acreditar nisso é como acreditar que o museu algum dia será recuperado completamente. Otimismo vazio. Mas, assim como para o meu querido Museu Nacional, aos brasileiros não resta escolha a não ser renascer das próprias cinzas. Das cinzas da corrupção, do “jeitinho”, da impunidade, da burocracia, da falta de ética, da irresponsabilidade, dos extremismos, do amadorismo! Se soubermos realizar essa transmutação quase alquímica, erros como  esse dificilmente se repetirão. Caso contrário, queimemos o que resta dos nossos museus, bibliotecas e monumentos históricos, pois já não haverá história que valha a pena ser registrada.

Notícias, Turismo

Brasil não sabe vender sua imagem ao mundo

Segundo entre 133 países do mundo em recursos e belezas naturais e 14º em bens culturais, país não figura sequer entre os 50 mais visitados do planeta

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Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, um patrimônio mundial da Unesco ameaçado pela falta de recursos. EMBRATUR FOTOS PÚBLICAS

A Espanha recebeu, no mês de julho, dez milhões e meio de turistas, quase o dobro do que o Brasil recebeu em 2016, com um território 15 vezes maior do que o país europeu. O Governo brasileiro parece pronto a vender até a Amazônia para fazer frente ao enorme déficit público e, no entanto, não sabe lançar sua imagem no exterior para atrair o turismo internacional. Entre os 181 milhões de turistas que visitam anualmente o continente americano, apenas seis milhões e meio chegam ao Brasil, contra 23 milhões no México. Enquanto a cidade maravilhosa do Rio recebe pouco mais de um milhão de estrangeiros, algumas cidades europeias como Veneza, Barcelona, Londres ou Paris, ou latino-americanas como Buenos Aires ou a Cidade do México, superam em número de turistas todo o Brasil.

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Notícias, Turismo

João Pessoa comemora 432 anos!

Considerada uma das cidades mais bonitas do litoral, a capital da Paraíba aniversaria no dia dedicado à padroeira, Nossa Senhora das Neves

Ponta do Seixas, em João Pessoa. Crédito: MTur

Banhada pelo Atlântico, a histórica e ensolarada João Pessoa, fundada no dia 5 de agosto de 1585, nasceu nas margens do rio Sanhauá, afluente do rio Paraíba, que deu nome ao estado. O centro histórico preserva o casario colonial e muitos dos atrativos mais visitados da capital de 432 anos de história. O Centro Cultural São Francisco, de 1589, é considerado um dos maiores complexos barrocos do Brasil.

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Imigração, Notícias

Acordo entre Brasil e Uruguai garante visto permanente para seus cidadãos

O processo é isento e permitem aos migrantes o direito a exercer qualquer atividade no país de destino, nas mesmas condições que os nacionais.

UESLEI MARCELINO / REUTERS

 

Por Débora Brito, da Agência Brasil

 

Diário Oficial da União publicou nesta sexta-feira (7) o acordo firmado entre o Brasil e o Uruguai que permite a ampliação da circulação de pessoas entre os dois países. O objetivo do acordo é facilitar os trâmites de imigração permanente para cidadãos brasileiros e uruguaios e aumentar a integração dos países vizinhos.

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Cultura, Notícias, Turismo

Peregrino percorre a Transcarioca e encontra ruínas de construções ciganas e paisagens exuberantes

Em 15 dias, montanhista completou 177 quilômetros de caminhada.

Montanhista e analista de sistemas, Horácio Ragucci passou 15 dias fazendo o percurso
Foto: Agência O Globo
Montanhista e analista de sistemas, Horácio Ragucci passou 15 dias fazendo o percurso – Agência O Globo

Pouca gente pode se orgulhar de conhecer tão bem o Rio quanto o analista de sistemas e montanhista Horácio Ragucci. Este mês, ele completou, após 15 dias de caminhada, os 177 quilômetros — com 12.431 metros de subidas — da Transcarioca, o corredor que forma a maior trilha do mundo dentro de uma cidade. Horácio faz parte de um grupo seleto, com um novo conceito de vida: a peregrinação urbana.

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Imigração, Notícias

Estrangeiros acham o Brasil um dos piores lugares do mundo

Insegurança, péssimos serviços públicos e alto custo de vida: o Brasil cai ainda mais no ranking dos melhores lugares para um estrangeiro viver

Policiamento no Rio de Janeiro
Policiamento no Rio de Janeiro: violência, custo de vida e instabilidade política fazem do Brasil um dos piores países para estrangeiros (Ricardo Moraes/Reuters)

É quase sempre desconcertante ouvir a opinião de estrangeiros sobre nosso país. Nossa auto-imagem em geral destoa de como somos vistos por pessoas de fora — para bem e para mal. Mas o resultado da pesquisa Expat Insider 2016, realizada com 14.272 expatriados associados à rede InterNations, é preocupante. De 67 países avaliados, o Brasil ficou em 64.º lugar no ranking dos melhores lugares para um estrangeiro viver. Só Nigéria, Grécia e Kuwait são piores. Taiwan, Malta, Equador, México e Nova Zelândia são os cinco primeiros colocados.

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Notícias, Turismo

Moradores do sudeste são os que mais viajam pelo Brasil

Pesquisa com mais de 2 mil pessoas de todas as regiões do país traça o perfil do viajante doméstico

Espírito Santo. Crédito: Embratur

A Região Sudeste concentra proporcionalmente o maior percentual de emissores de turistas pelo país. Enquanto mais de metade da população, 55,4%, revela que já realizou, pelo menos, uma viagem pelo Brasil, entre os moradores do Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo este índice sobe para 70%. Os dados são resultado de uma pesquisa do Ministério do Turismo.

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Notícias, Turismo

O que Foz do Iguaçu tem para mostrar além das cataratas

As cataratas são a principal, mas está longe de ser a única atração de Foz do Iguaçu, possibilitando que a estadia na cidade seja mais duradoura

A Usina Hidrelétrica de Itaipu tem um número de atrativos tão grande quanto o Parque Nacional do Iguaçu (Divulgação)

Descoberta há 476 anos, em 31 de janeiro de 1541, as Cataratas do Iguaçu são o motivo maior para visitar Foz. Porém, a cidade soube capitalizar o grande número de turistas e oferecer um consistente leque de atrações, aumentando o número de dias de quem pretende explorar ao máximo da região.

Veja outras atrações de Foz do Iguaçu que vão além das Cataratas:

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Notícias, Turismo

Pesquisa revela que 44% dos brasileiros nunca fizeram turismo no país

O levantamento, encomendado pelo Ministério do Turismo, traçou o perfil dos turistas brasileiros e apontou um enorme potencial de desenvolvimento do setor.

A bela João Pessoa. Crédito: Embratur

O Brasil é repleto de belos destinos turísticos prontos para serem visitados, mas uma parcela significativa da população ainda não teve a oportunidade de descobrir seu próprio país. A conclusão é resultado de uma pesquisa encomendada pelo Ministério do Turismo que identificou que 44,4% dos brasileiros nunca viajou a turismo pelo país. Um mercado que deverá ser ampliado a partir das mudanças propostas pela Pasta com o plano Brasil + Turismo, um pacote de medidas para fortalecer o setor.

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Brasil, Morro de São Paulo

Morro de São Paulo | Brasil

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Morro de São Paulo, Bahia, 2 de fevereiro de 2016.

 


BELEZAS NATURAIS E HISTÓRICAS


Alguns dias antes do Carnaval eu resolvi conhecer o tão falado paraíso de Morro de São Paulo, na Bahia. Depois de pegar um barco no porto de Salvador e conhecer um casal bem gente boa no trajeto, eu finalmente atraquei em Morro de São Paulo após uma hora e meia de viagem.

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América do Sul, Brasil, Teresópolis

PEDRA DO SINO | TERESÓPOLIS (RJ)

 

Teresópolis, terça-feira, 29 de dezembro de 2015.

 

A Pedra do Sino é o ponto mais alto do estado do Rio de Janeiro (2.275 metros de altitude) e fica no Parque Nacional Serra dos Órgãos (PARNASO), no município de Teresópolis – a mais ou menos duas horas da capital fluminense. É possível ir de ônibus, a partir da Rodoviária Novo Rio, ou de carro. A última opção tem lá suas vantagens porque você perde menos tempo de caminhada, uma vez que é possível estacionar bem próximo ao início da trilha de 11 km que também faz parte da Travessia Petrópolis-Teresópolis.

Subir a Pedra do Sino foi ideia do meu amigo Fabricio que queria encerrar o ano de 2015 de forma “radical” e, de quebra, relembrar um pouco a altitude que experimentamos no Peru em 2013. Devido ao tempo inconstante, resolvemos que não compraríamos os ingressos pelo site, mas apenas quando chegássemos à entrada do parque (causando um pequeno “engarrafamento” na fila, diga-se de passagem).

Começamos a caminhar por volta das 11h da manhã e de cara confirmamos o que muitos já haviam dito: a trilha é um pouco pior na primeira hora. De uma forma geral a trilha é leve e bem marcada, porém muito longa (sem dúvida a mais longa que fiz até o momento), então não convém levar peso desnecessário caso você tenha o mínimo de apreço por suas costas… Ah, e um anestésico pode ser bem-vindo lá em cima!

Depois de mais ou menos uma hora de subida, chegamos à cachoeira Véu da Noiva. Como estávamos subindo um pouco tarde e queríamos otimizar a andança, não nos detivemos muito tempo na cascada, deixamos para a volta. O sol vinha de tempos em tempos aquecer a caminhada, mas eventualmente o vento forte nos fazia sentir mais frio que calor em pleno mês de dezembro. Um casal de alemães (como viajam esses alemães!) nos acompanhou em uma das muitas paradas pelo caminho. Eles tinham que subir rápido pois desceriam no mesmo dia, então a conversa foi breve. Todas as pessoas que faziam o caminho inverso diziam a mesma frase animadora: “Ainda falta muito!” E faltava mesmo!

Depois de umas duas horas chegamos a uma outra cachoeira. Mais modesta que a do Véu da Noiva, é mais uma opção de hidratação para viajantes sedentos. Um certo tempo depois adentramos uma simpática e convidativa clareira que viríamos a descobrir depois que era onde ficava instalado o antigo Abrigo 3. Essa mesma clareira possui uma trilha que leva a um mirante que não chegamos a conhecer. Com as costas doendo por causa do peso da bagagem, decidimos que o lugar merecia uma parada mais prolongada.

Com a companhia de Eddie Vedder cantando no único celular que ainda tinha um pouco de bateria, cruzamos com muita gente descendo: famílias inteiras, crianças, idosos, um maluco que gritou “Aê, Pearl Jam! Fui no show!”, até um grupo religioso! Depois de cinco horas e alguns minutos de cansaço, finalmente avistamos o teto do Abrigo 4.

E o tempo?! Ah, o tempo estava uma maravilha! Quase que completamente fechado… Conhecemos um gente boa de Manaus e mais uma galera no abrigo. Não pudemos tomar banho, porque esquecemos os comprovantes no carro e demos uma boa negociada para usar a cozinha… À noite a temperatura cai drasticamente e o vento forte batendo nas árvores dava a sensação que dormíamos na beira de uma praia. Apesar do tempo ruim, a aventura valeu a pena!

 


DICAS 


Não levar muito peso, pois apesar de leve, a trilha é longa.
Sempre levar uma roupa de frio
Preferir ficar no abrigo em vez de acampar.
Leve um carregador portátil, pois não há tomadas no abrigo.

 

Andarilho

Brasil, Paraty, Praia do Sono

Praia do Sono | Paraty (RJ)

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Praia do Sono, sábado, 4 de abril de 2015.

A Praia do Sono fica ao lado da Vila de Trindade, lugar paradisíaco que tive o prazer de visitar algumas vezes. Apesar disso, nunca consegui estender a visita até a famosa comunidade caiçara, fosse pelo mau tempo, o medo de barcos ou simplesmente a preguiça de fazer uma trilha de, aproximadamente, uma hora. Aproveitei os 75% do feriado da Semana Santa para conhecer o vilarejo que mais me pareceu uma aldeia hippie entre o mar e a Mata Atlântica.

Saímos da Rodoviária Novo Rio, no Rio de Janeiro às 4h da manhã com destino à Paraty, no sul do estado (fui com um casal de amigos). Depois de um pouco mais de três horas de viagem, descemos na cidade colonial e aproveitamos a proximidade de um mercado para fazer algumas compras essenciais para um camping: comida – leia-se “macarrão instantâneo” – e água. Depois de um salgado na pastelaria chinesa em frente à rodoviária como desjejum, pegamos um ônibus com destino à Laranjeiras, condomínio de luxo onde tem início a trilha que leva à Praia do Sono.

A trilha é puxada no início, pelo menos vinte minutos de subida consideravelmente íngreme, mas depois fica mais amena. Depois de quase uma hora de caminhada pela Mata Atlântica, chegamos finalmente a um vilarejo-camping com cerca de 1km de extensão em uma praia maravilhosa.

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Como a praia inteira é formada por campings, restaurantes e algumas pousadas, não encontramos grandes dificuldades para nos instalar e almoçar logo em seguida. O lugar é bem pequeno, uma das muitas vilas de pescadores da Costa Verde (que aliás, deve ser a única unanimidade entre paulistas e cariocas), mas conta há mais ou menos cinco anos com energia elétrica e melhorias na infraestrutura. Em seu “centro” encontramos uma igreja e uma escola. No final, perto da trilha que leva à Praia de Antigos, desagua um rio que me fez lembrar instantaneamente da Praia de Dois Rios, em Ilha Grande.

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À noite os atrativos são os mesmos de outros vilarejos à beira-mar: bebida e música ao vivo. Como passaria apenas uma noite, tentei aproveitar o máximo possível. Começamos em um bar que tocava reggae ao vivo  e terminamos em outro cujo foco era forró (na verdade, quase um “forreggae”…) e estava bem mais cheio e animado que o primeiro.

Praia de Antigos, domingo, 5 de abril de 2015.

No dia seguinte, fizemos a trilha até Antigos, a praia que fica ao lado do Sono. A trilha que leva até lá é bem íngreme, mas percorremos os cerca de trinta minutos de caminhada com relativa facilidade.

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A praia também é bem bonita, possui uma piscina natural de água doce no início e faz parte do circuito de trilhas que leva até Paraty. Justamente fazendo esse trajeto – contrário – conhecemos dois alemães, Andreas e Axel. Os loucos fizeram parte do caminho de barco e estavam caminhando há três dias, acho…

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De volta à Praia do Sono, nosso almoço de Páscoa foi com nossos novos amigos em um dos muitos restaurantes à beira mar. Já que tanto os alemães, quanto meus companheiros de camping só voltariam ao Rio de Janeiro no dia seguinte, parti sozinho em um barquinho de volta à Laranjeiras, onde pegaria o ônibus novamente em direção à Paraty e de lá, de volta à Rodoviária Novo Rio.