Na Estrada


“Qual é a sua estrada, homem? – a estrada do místico, a estrada do louco, a estrada do arco-íris, a estrada dos peixes, qualquer estrada… Há sempre uma estrada em qualquer lugar, para qualquer pessoa, em qualquer circunstância.” — Jack Kerouac*


A ARTE DE VIAJAR


Desde o meu primeiro mochilão internacional em 2013 (Peru), o que era um blog de turismo econômico e viagens rápidas, vem se tornando uma pequena odisseia pessoal de exploração, descobrimentos e transformações. Sim, viajar tem um poder transformador!

O contato com outros países e suas culturas, climas, moedas, gastronomias e línguas diversas vem pouco a pouco alterando não só a minha visão de mundo, mas o meu próprio estilo de vida. E em uma dessas andanças, em algum lugar inóspito do Marrocos, eis que me deparo com o arquétipo universal do Explorador:

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O EXPLORADOR


  • Desejo básico: liberdade para descobrir quem você é, mediante a exploração do mundo.
  • Meta: experimentar uma vida melhor, mais autêntica, mais gratificante.
  • Maior medo: cair numa armadilha, conformidade, vazio interior, inexistência.
  • Estratégia: viajar, buscar e experimentar coisas novas, escapar das armadilhas e do tédio.
  • Armadilha: vagar sem meta, tornar-se um desajustado.
  • Dom: autonomia, ambição, capacidade de ser fiel à própria alma.

O Explorador também é conhecido como buscador, aventureiro, iconoclasta, andarilho, individualista, peregrino, descobridor, anti-herói, rebelde.**


Se você se identifica com alguma dessas definições, talvez tenhamos começado bem essa conversa. Minhas viagens são rápidas, geralmente feitas nas férias (não, incrivelmente eu ainda não ganho a vida viajando), então talvez você não encontre nesses relatos muitos detalhes locais que são comuns em tantos blogs e livros excelentes de e sobre viagens que podemos comprar nas grandes livrarias. Não é esse o objetivo.

Mas depois de alguns anos de estrada (e aeroportos, ferrovias, portos etc.), acredito que através dessas breves experiências o leitor consiga ter uma noção dos recursos necessários para viajar economicamente e do quanto é prazeroso conhecer uma boa parte da cidade a pé.

Ainda que eu geralmente viaje acompanhado, os relatos abaixo expressam única e exclusivamente a minha opinião sobre os fatos ocorridos na estrada. Já as fotos são uma mescla das tiradas por mim com as tiradas por meus companheiros de viagem (sem processos hein, galera!)

Afinal, não parece, mas viajar também é um empreendimento. E qualquer empreendimento que se preze precisa de planejamento, orçamento e medidas de segurança adequados, correto? Nesse processo de planejamento é comum que o Administrador em mim assuma o controle da situação.

Por mais que as experiências a seguir possam conter informações valiosas para quem viaja, não existe aqui pretensão literária, educativa ou competitiva (o “super” andarilho que vos escreve faz mochilões e viagens “super” econômicas!), é apenas uma forma de registrar experiências únicas e de matar a saudade depois de um tempo.

E por mais que algumas histórias possam parecer inspiradoras, meus caros, quando estiverem lá fora, não esqueçam de trazer de volta para casa os seus próprios roteiros, construídos no decorrer do seus próprios caminhos!

Boas leituras e ótimas viagens!

 

*Trecho retirado do livro Pé Na Estrada (On the Road) de Jack Kerouac

**Trecho retirado do livro O Herói e o Fora-da-Lei (The Hero and the Outlaw) de Margaret Mark e Carol S. Pearson

América do Sul

“Soy lo que sostiene mi bandera
La espina dorsal del planeta, es mi cordillera
Soy lo que me enseñó mi padre
El que no quiere a su pátria, no quiere a su madre
Soy América Latina, un pueblo sin piernas, pero que camina
¡Oye!”

– Calle 13, Latinoamérica

África

“Toda manhã na África, a gazela acorda. Ela sabe que precisa correr mais rápido que o mais rápido dos leões para sobreviver. Toda manhã um leão acorda. Ele sabe que precisa correr mais rápido que a mais lenta das gazelas senão morrerá de fome.

Não importa se você é um leão ou uma gazela. Quando o sol nascer, comece a correr.”

– Provérbio africano

Europa

“Europa, tu virás só quando entre as nações
o ódio não tiver a última palavra,
ao ódio não guiar a mão avara,
à mão não der alento o cavo som de enterro
— e do rebanho morto, enfim, à luz do dia,
o homem que sonhaste, Europa, seja vida!”

– Adolfo Casais Monteiro, Europa

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