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Três roteiros para ver arte urbana em Lisboa

Um crescente movimento na cidade prova que nem só de azulejos são feitas as paredes portuguesas

Três roteiros para quem quer ver um pouco da arte urbana que invade Lisboa. (Foto: CML | DMC | DPC | Bruno Cunha 2017 )

Quem imagina Lisboa com seus prédios pombalinos, calçadas portuguesas e fachadas em tons pastéis dificilmente vai pensar em grafitis e outras intervenções do tipo, mas dentro do processo de intensa modernização pelo qual a cidade vem passando, está o surgimento de cada vez mais muros e painéis assinados por grandes nomes da arte urbana mundial.

Prova disso é o Muro Festival de Arte Urbana que, este ano, ocorreu pela segunda vez na capital portuguesa. Durante três dias, artistas de diversas origens foram convidados a pintar a lateral de alguns prédios em Marvila, um bairro um pouco mais afastado do centro da cidade. Ao todo, foram feitas 15 intervenções — sendo uma delas o rosto do cacique Raoni, ativista dos direitos indígenas e defensor da Amazônia, pintado pelo brasileiro Eduardo Kobra — que juntas formam um verdadeiro museu a céu aberto.

Mas, ao contrário do que se costuma fazer com galerias e exposições convencionais, o mais interessante da arte urbana é deixá-la acontecer no meio do caminho. Entre um lugar e outro, quando menos se espera, aparece um muro que obriga quem passa a diminuir o ritmo e contemplar a arte que se apresenta despretensiosamente, como parte do cenário urbano.

Pensando nisso, destacamos algumas obras que você pode conferir a poucos metros de distância de alguns dos principais pontos turísticos de Lisboa. Assim, entre uma atração e outra, é possível parar por alguns instantes, tirar os olhos do mapa e ver uma Lisboa que se apresenta muito além óbvio.

1. No caminho para o Castelo de São Jorge
Três roteiros para quem quer ver um pouco da arte urbana que invade Lisboa. (Foto: CML | DMC | DPC | José Vicente 2017)

O Castelo é um dos pontos turísticos fundamentais da cidade. Ao sair da região da Baixa lisboeta (parte do centro mais próxima ao rio Tejo) e subir em direção a ele, é possível ver alguns muros dedicados ao fado. A temática não foi escolhida à toa: foi ali, entre os bairros de Alfama, Castelo e Mouraria, que surgiram as primeiras casas dedicadas ao gênero. Assim, nas Escadinhas de São Cristóvão, diversos artistas se reuniram para criar imagens que brincam com letras e personagens muito presentes nas canções populares e, não muito longe dali, na Rua de São Tomé, encontra-se o retrato da fadista Amália Rodrigues esculpido num muro pelo artista português Vhils, famoso por suas técnicas que “escavam” as superfícies trabalhadas.

2. No caminho para o Miradouro Nossa Senhora do Monte
Três roteiros para quem quer ver um pouco da arte urbana que invade Lisboa. (Foto: CML | DMC | DPC | José Vicente 2017)
Três roteiros para quem quer ver um pouco da arte urbana que invade Lisboa. (Foto: CML | DMC | DPC | José Vicente 2017)

Lisboa também é conhecida como a cidade das Sete Colinas. Isso significa que, além de muitas ladeiras, existem diversos mirantes onde é possível ver a cidade e o famoso céu de Lisboa em todo seu esplendor. Um dos mais requisitados, é o Miradouro Nossa Senhora do Monte, no bairro da Graça. A poucos metros dali, é possível encontrar dois painéis assinados pelo norte-americano Shepard Fairey, criador do famoso cartaz “Obama Hope”. Um deles, destaca-se por retratar uma figura feminina segurando uma arma com um cravo no cano, em alusão à Revolução dos Cravos que libertou Portugal de uma ditadura de mais de 40 anos.

3. No caminho para o Parque Eduardo VII
Três roteiros para quem quer ver um pouco da arte urbana que invade Lisboa. (Foto: CML | DMC | DPC 2011 )
Do alto do Parque Eduardo VII, quem olha em linha reta enxerga todo o centro da cidade com o Tejo ao fundo. Vale a pena se deslocar até lá, não só pela vista desafogada, mas também para conferir a fachada de um prédio abandonado onde Os Gêmeos pintaram alguns de seus icônicos personagens amarelos. Com um visível aquecimento do mercado imobiliário, cada vez menos vemos prédios desocupados e interditados em Lisboa, no entanto, entre a estrutura desgastada pelo tempo e as janelas fechadas com tijolos na Avenida Fontes Pereira de Melo, ainda é possível ver a marca da dupla brasileira. Ao lado, encontram-se artes das mesmas dimensões feitas por alguns outros artistas.
Além de menos rigorosa, a arte urbana tende a ser um pouco mais efêmera também. Dessa forma, antes de visitar os locais indicados, vale a pena visitar o site da Galeria de Arte Urbana de Lisboa e conferir se os painéis continuam em bom estado. Além de uma relação das principais obras que existem na cidade, a página também oferece uma lista de lugares onde é possível chegar, pintar e aproveitar as férias de um jeito ainda mais diferente.

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