Cascais, Europa, Portugal

A Boca do Inferno | Cascais, Portugal

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Cascais, sexta-feira, 11 de novembro de 2016 (16° dia).

E VOLTAMOS PARA A BEIRA DO MAR


Acordamos com a esperança que o tempo estivesse melhor, mas nada feito. Nublado e com possibilidade de chuva. “Ok, vamos assim mesmo”. Depois de nos despedirmos da família do João, que estava indo viajar, tomamos um café no Esplanada/Bar Alcatruz, na costa de São João do Estoril, com uma visão incrível para o Forte de Santo António da Barra e do mar. De brinde ainda pudemos contemplar a visita de um cardume de golfinhos!

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Forte de Santo António da Barra
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Golfinhos!

O tempo não estava tão bonito quanto poderia estar, mas eu estava achando tudo ótimo. Apesar da ressaca leve (e do €1,30 pagos em um café), estávamos abrigados com amigos, tínhamos um pouco de dinheiro, nenhuma merda “das grandes” havia acontecido até o momento e eu Fabricio não havíamos nos matado em duas semanas de convivência intensiva! (Hahaha) E ainda havia golfinhos! (Isso tem o mesmo significado de ver um raríssimo puma no deserto do Atacama! É foda!) Estava feliz.

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AS LENDAS DA BOCA DO INFERNO


Depois de caminharmos por toda a tarde pela costa de Estoril, chegamos até as proximidades da Marina de Cascais. Nos informamos (erroneamente) sobre como chegarmos à Boca do Inferno e demoramos mais uns vinte minutos depois de passarmos do Palácio da Cidadela até finalmente avistarmos as formações rochosas – e a penca de turistas envolvida na história. O erro foi ter seguido pela Avenida República, um caminho que não tem quase nada de interessante, no lugar de seguir pela costeira Avenida Rei Humberto II da Itália (Não cometa esse erro se estiver a pé!).

“Ano 14, Sol em Balança

L.G.P.

Não posso viver sem ti. A outra ‘Boca do Inferno’ apanhar-me-á – não será tão quente como a tua.

Hisos!

Tu

Li

Yu”

Assim escreveu o mago inglês Aleister Crowley à “Mulher Escarlate”, sua ajudante. Reza a lenda que Crowley começou a corresponder-se com o escritor português (também ocultista) Fernando Pessoa e nos anos 30 visitou Lisboa com o intuito de conhece-lo. Após um episódio de histeria seguido do desparecimento da “Mulher Escarlate”, Pessoa teria se encontrado algumas vezes com Crowley em Estoril e Sintra, em cuja serra o mago teria desparecido antes de suicidar-se na Boca do Inferno. O texto em questão teria sido encontrado “acidentalmente” embaixo de uma cigarreira por Augusto Ferreira Gomes, amigo ocultista de Fernando Pessoa, junto à Boca do Inferno.

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Claro que tudo que envolve Aleister Crowley sempre será envolto em mistério. Mas o fato é que o “suicida” correspondeu-se novamente com Pessoa, desta vez da Alemanha, alguns meses depois. Tendo ou não se suicidado na Boca do Inferno, aparentemente isso serviu de inspiração para pessoas com tendências suicidas latentes. Não são raros os casos registrados no local. E houve ainda o curioso caso de uma adolescente que simulou o próprio suicídio com o intuito de fugir para a Alemanha (coincidência?!) e encontrar o namorado!

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Lugarzinho estranho… e lindo! Claro, o dia poderia estar ensolarado e as fotos poderiam ter ficado bem melhores, mas ainda assim o sítio é espetacular! Formada por pedras milenares, tanto a Boca do Inferno quanto a Pedra do Nau, uma pequena ilha rochosa entre a Boca e o Farol, sofrem com a erosão constante do mar e dos ventos, o que impede a proliferação de árvores de maior porte, sendo a vegetação reduzida a arbustos.

Em compensação os arbustos auxiliam na manutenção de um número considerável de vida selvagem, tais como corvos, gaivotas, gansos, lagartixas, o falcão peregrino e o coelho bravo. “Olha lá! Um coelho!” Tarde demais para uma foto…

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Mas enfim, voltemos ao esoterismo. Não senti coisas bizarras na Boca do Inferno. Mesmo com os relatos de morte, estava fascinado pela formação em si. Nenhum arrepio, nenhuma “bad”. Para mim foi um ponto turístico como a Pedra da Gávea (no Rio de Janeiro), que já fui algumas vezes. Pessoas morrem na Pedra da Gávea, por descuido geralmente – não lembro de relatos de suicídio. E ainda assim, fazer aquela trilha um par de vezes me pareceu espiritualmente mais pesado do que visitar a famosa “pedra dos suicidas”. De qualquer maneira, o pseudo-ocultista em mim sentiu um certo ar iniciático no fato de estarmos na Boca do Inferno em nosso primeiro dia. Afinal, estávamos sob o signo de Escorpião, geralmente relacionado à morte/transformação. Desde então eu estava relaxado, mas sempre alerta! (Risos)

 


UM MENU KEBAB PARA MATAR A SAUDADE


Depois de tanta caminhada, tinha começado a chuviscar e concordamos que precisávamos de um kebab (para dar uma variada…). Paramos em uma lanchonete especializada no lanche árabe (que não me recordo o nome) e comemos um combo/menu que foi bem satisfatório, por cerca de € 6,00. Não foi barato, mas até que valeu a pena. Caminhamos mais alguns minutos até a Estação de Cascais e de lá pegamos o comboio de volta a São João do Estoril.

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Casa onde viveu o escritor Mircea Eliade

HAPPY HOUR NA PAREDE


Descansamos algumas horas na casa do João e mais tarde fomos encontrar com a Henriqueta em Parede. O plano era conhecermos um lugar indicado pelo João mais cedo, mas no final acabamos nos arredores da Estação da Parede no restaurante Eduardo das Conquilhas. Como não víamos a Henriqueta há tempos, o papo foi longo e regado mais a vinho que à cerveja.

 


DICA


Para chegar à Boca do Inferno, a pé, prefira o trajeto realizado pela Avenida Rei Humberto II da Itália. Nessa rua já é possível observar as formações rochosas que trouxeram fama ao lugar.

 

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Se tiver alguma dúvida sobre a Boca do Inferno, você pode deixar um comentário abaixo ou mandar um e-mail para: superandarilho@outlook.com

 

Em breve, mais relatos sobre Portugal!

 

Obrigado pela leitura e boas viagens!

 

A seguir: Évora | Portugal

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